Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



helley.jpgA maneira inesperada que São Francisco utilizou
para mudar o mundo.


Ele não tinha poder político e não levou exércitos à batalha.
Mas tinha uma virtude que fez (e faz) toda a diferença

Muitos dos homens e mulheres mais influentes da História possuíam grande poder político e eram líderes com intensa determinação. Eles mudavam o mundo, quer as pessoas gostassem ou não.

 

Com base nessa realidade histórica, São Francisco de Assis não deveria ter tido nenhum impacto no mundo.

 

Embora ele tenha nascido em uma rica família de comerciantes, após sua conversão Francisco renunciou à família e tornou-se um homem pobre. Ele não tinha nada e estava destinado a apodrecer como um mendigo na beira da estrada. No entanto, havia algo diferente em Francisco. Ele era pobre, mas era alegre. Ele não possuía bens, no entanto vivia como se tivesse tudo.

 

Rapidamente, seu modo de vida radical atraiu outros seguidores, que davam seus pertences para se tornarem mendigos.

 

O que é ainda mais notável em São Francisco é que ele nem era um sacerdote ordenado. Ele acabou se tornando um diácono, e atraía outros religiosos por ser um leigo comprometido.

De muitas maneiras, a vida de São Francisco reflete a de Jesus Cristo. Ambos eram homens bastante “insignificantes” que vagavam pelas pequenas aldeias pregando a quem quisesse ouvir. Eles não tinham poder político e não levaram exércitos à batalha. Nos últimos anos de sua vida, São Francisco não viajou e ficou isolado. A maneira inesperada como São Francisco mudou o mundo foi através de seu exemplo.


Sua maneira revolucionária de pensar é tão radicalmente simples que qualquer um pode fazê-lo! Tudo o que você precisa fazer é seguir o Evangelho, viver com simplicidade e mostrar sua alegria ao mundo.

 

Quando as pessoas vêem a beleza de uma vida unida a Deus, são imediatamente atraídas por ela. São Francisco nunca esperou que seu pequeno grupo de irmãos tivesse algum significado, e ainda hoje eles são uma das maiores ordens religiosas do mundo!

 

Uma vida vivida autenticamente enraizada no Evangelho tem mais poder do que qualquer rei ou governante terrestre – e perdurará por toda a eternidade.

 

Você quer mudar o mundo? Não tente se tornar poderoso de acordo com os padrões terrestres. Comece simplesmente por si mesmo e, lentamente, influenciando as pessoas da sua família e da comunidade local.

 

O Evangelho é difundido de maneira mais eficaz não por organizações poderosas que alcançam todos os cantos do globo, mas por indivíduos que o transmitem a outras pessoas.


Por : Philip Kosloski 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:44


Aparecida – em pé!

por John Soares, em 28.10.19

helley.jpgDois anos depois: os 10 anjos, as 3 heroínas
e Nossa Senhora Aparecida – em pé !

A mulher cuja vida era ensinar e cuja morte foi uma lição sublime:
que este Dia da Padroeira traga bálsamo às famílias ainda machucadas

 
Completaram-se já 2 anos. Os primeiros dias foram de escuridão, vazio, desespero imponderável. Mas uma luz suave, mesmo desde aqueles dias, insistia em brilhar com sutileza nas dezenas de fotos e vídeos breves que as redes sociais espalhavam desde aquele 5 de outubro – o dia do abominável, do absurdo.

 

Eram imagens de sorrisos, de bracinhos abraçando, de mãozinhas irrequietas, intrometidas, carinhosas; de olhinhos ingênuos e marotos que não se aguentavam de curiosidade. Fotos de crianças bagunceiras, inocentes, vigorosamente frágeis no auge da força da vida que foi arrancada de repente e com estupidez boçal, com selvageria demente, e cuja lembrança tanto arrancava quanto devolvia os pedaços de quem tinha ficado.

 

Havia fotos também da Heley. A professora. A heroína. A mulher valente que tinha sacrificado a vida para salvar o máximo que pudesse de crianças da covardia e da insanidade assassina. A mulher cuja vida era ensinar e cuja morte foi uma lição sublime.

 

O massacre de Janaúba aconteceu no dia 5 de outubro de 2017, na creche municipal Gente Inocente, no município de Janaúba, estado brasileiro de Minas Gerais. O vigilante noturno da creche, que havia chegado na manhã para supostamente entregar um atestado médico, invadiu uma sala de aula com dezenas de crianças entre 3 e 7 anos, trancou a porta, lançou combustível sobre elas, sobre funcionários e sobre si mesmo e em seguida ateou fogo. Dezenas de crianças ficaram feridas. Quatro delas morreram ainda no local. Outras seis morreram depois de terem sido socorridas e hospitalizadas. Morreram ainda a auxiliar Geni Oliveira e as professoras Jéssica Morgana e Heley de Abreu. O agressor também morreu. O quadro de uma parte dos feridos se agravou por causa da inalação de fumaça. Algumas vítimas foram transferidas para a Santa Casa de Montes Claros, a 130 km de Janaúba. As vítimas com queimaduras mais graves foram levadas em aeronaves para a capital do estado, Belo Horizonte, a 550 km.

 

Enquanto dez anjos foram arrancados de seus pais, um anjo foi arrancado de seus filhos: Heley deixou um bebê de 1 ano e dois adolescentes. Ao filho mais velho, porém, ela foi se reunir: àquele que, ainda pequeno, tinha morrido afogado na piscina de um clube. Sim, o coração de Heley já conhecia a dor dilacerante de um filho arrancado por uma tragédia, e, ainda assim, ela arrancou forças de onde não tinha para seguir em frente – porque ainda havia história para protagonizar; ainda havia lição de casa para aprender e para explicar aos outros aprendizes, àqueles tantos e tantos de nós que anseiam por mestres não apenas contadores de histórias, mas fazedores da história. A história dela, do meio da escuridão, refulge como um roteiro para os que hesitam em seguir em frente; como um convite para aqueles que não têm de onde arrancar mais forças: “Arranquem forças de onde não têm. Há vida que nos espera, e, pela vida, encaremos, se necessário, a própria morte“.

 

Entre tantos absurdos, o maior de todos, afinal, é inexplicavelmente pródigo em sentido: a vida do próximo pode ser a força de que precisamos para arrancar vida da nossa própria morte.

 

Heley, que tinha dois primos sacerdotes e um filho coroinha, dava catequese: preparava casais para o sacramento do Matrimônio, numa igreja de Nossa Senhora Aparecida. A mesma Nossa Senhora Aparecida cuja festa, no dia 12 de outubro, por essas coisas de Deus, coincidiu com o sétimo dia de uma tragédia de morte em que a vida insistiu em ainda brilhar. A mesma Nossa Senhora que ficou de pé ao pé da Cruz em que o Seu Filho dava a vida pela vida do próximo. A mesma Nossa Senhora que ficou de pé porque sabia que a história do Filho não acabava naquela colina do Calvário, nem naquela tarde escura de sexta-feira.

 

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós, para ficarmos de pé!
Rogai por nós, Nossa Senhora, para nos lembrarmos de que a morte não é o final da história.


Por : Francisco Vêneto 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:23


A santa que foi vítima de abuso sexual

por John Soares, em 28.10.19

X X X.jpgA santa que foi vítima de abuso sexual

A Cova de Iria, onde Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos de Fátima,
é uma homenagem a esta mártir

Em outubro, quando lembramos o Milagre do Sol de Fátima e o Santo Rosário, podemos também dar uma olhada na história de uma santa da cidade vizinha a Fátima, Tomar. O nome dela é Santa Irene de Tomar (ou Santa Iria) e ela foi martirizada em 653.

 

Diz a lenda que Irene nasceu em um lugar chamado Nabancia, hoje conhecido como Tomar, localizado em Portugal. Ela era de família rica e influente. Seus pais conseguiram um professor particular para Irene e a enviaram para uma escola do convento.

 

Irene era bastante bonita, e os poucos homens que realmente tinham a chance de vê-la ficavam sempre apaixonados por sua beleza. Na região, havia um homem na  chamado Britald. Ele começou a segui-la no caminho para a igreja.

 

O homem ficou apaixonado por ela e finalmente se aproximou de Irene, pedindo que ela se casasse com ele. Ela recusou, dizendo que havia feito voto de celibato e se entregado a Deus.

 

No entanto, havia outro homem apaixonado por Irene. Era o tutor dela, Remigio. Ele era um monge encarregado pelos pais da moça não apenas de ensinar a filha, mas também de protegê-la. Com o passar do tempo, Remigio cresceu em luxúria, e, um dia, cercou Irene com avanços irracionais e impuros. Ela o afastou com a maior força possível, mas Remigio não foi embora. Depois, o homem ficou furioso, deixou o cargo de tutor e planejou uma vingança.

 

As pessoas começaram a perguntar a Remigio por que ele não estava mais ensinando Irene. Ele começou a dizer que descobrira que ela estava grávida e enviou uma mensagem para Irene, perguntando se poderia encontrá-la por alguns momentos para lhe dar algum material para estudar.

 

Como os rumores de sua gravidez continuaram a se espalhar, Irene concordou em se encontrar com Remigio. Ele ofereceu-lhe uma bebida, e ela aceitou. A lenda conta que Remigio havia inventado um veneno que faria o abdômen inchar. Quando as pessoas viram Irene com a barriga inchada, acreditaram na mentira de Remigio.

 

A notícia chegou ao primeiro pretendente rejeitado de Irene, Britald. Ele estava absolutamente lívido por Irene ter mentido para ele e ter sido promíscua.

 

Britald, então, contratou um mercenário para matar a moça. Irene estava voltando da oração da tarde quando o assassino a atacou. Ele esgueirou-se por trás dela e cortou sua garganta. O criminoso jogou o corpo no rio Tejo.

 

Depois disso, toda a população começou a perguntar sobre a moça, que desaparecera da Missa e das orações.

 

Neste ponto, a lenda se volta para o tio de Irene, o abade Celius, que recebeu uma revelação mística sobre a verdade da morte de Irene e a localização de seu corpo. O tio reuniu uma procissão de pessoas e fez uma peregrinação até o local onde ele sabia que seu corpo seria encontrado. As correntes da água levaram o corpo de Irene às margens de Scalabis (hoje conhecida como Santarém, que significa Santa Irene).

 

Quando a procissão chegou ao local, as águas recuaram e os restos intactos de Irene foram encontrados. Observou-se também que ela não estava grávida e que havia sido vítima de mentiras e calúnias. Os monges fizeram um enterro formal, e a história de Santa Irene (Santa Iria) começou a se espalhar. A Cova da Iria, onde Nossa Senhora apareceu aos pastorinhas de Fátima, recebeu esse nome em homenagem a ela.

 

Hoje, Santa Irene de Tomar é homenageada como santa e mártir em Portugal e na Igreja Católica. Ela é a santa padroeira de Tomar e Santarém, e seu dia de festa é 20 de outubro.

Por : Larry Peterson

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:54

Untitled --.jpgO segredo de São João Paulo II
para tomar decisões difíceis.

Quem revela é o cardeal que trabalhou anos com o Papa polonês

Durante o lançamento de um livro em Roma, o prefeito emérito da Congregação para os Bispos, cardeal Giovanni Battista Re, enfatizou que São João Paulo II era um homem de oração, de certezas, dotado de uma capacidade ímpar de se comunicar com as pessoas e seguro de si. Tudo isso por causa de seu relacionamento com Deus.

 

O cardeal Re foi testemunha direta dos 26 anos e meio do pontificado do Papa João Paulo II e revelou o segredo de Wojtyla por tomar decisões difíceis: “Ele rezava por um longo tempo”.


O cardeal recontou alguns episódios da vida espiritual do santo e disse que o Papa polonês considerava as “necessidades do espírito humano” não menos importantes do que as do corpo.

Decisões difíceis

 

Quando, em vários momentos do dia, como durante as refeições, o Papa discutia projetos importantes e problemas e não conseguia tomar uma decisão adequada, ele sempre concluía: “Precisamos rezar ainda mais para que o Senhor nos ilumine a respeito deste problema, para que a mão de Deus venha em nosso auxílio.”

 

O cardeal Re, que foi secretário pessoal do Substituto para Assuntos Gerais do Secretário de Estado de 1971 a 1977, falou sobre um caso urgente que estava sendo discutido em profundidade durante as reuniões do mais antigo dicastério da Cúria Romana.

 

O Papa já ouvira várias opiniões e parecia haver uma boa resposta ao problema. Então, os conselheiros do Sucessor de Pedro perguntaram se eles poderiam publicar sua decisão. “Não, não”, disse Wojtyla, “ainda preciso rezar um pouco mais sobre esse assunto.”

 

O cardeal Re foi nomeado secretário da Congregação para os Bispos em 1987 e lembrou outra história que ilustra os critérios espirituais que João Paulo II utilizava quando tinha que tomar uma decisão definitiva sobre um assunto que afetaria a vida de milhares de fiéis, como a nomeação de um bispo:


Lembro-me de uma reunião plenária da congregação, na qual os votos dos bispos foram divididos igualmente: 50% e 50%.  Ambos os candidatos eram excelentes com base na adesão à tradição, conhecimento do local e experiência. Dissemos a ele tudo o que ele precisava saber e o Papa João Paulo II pegou os papéis nas mãos. Era sábado à noite e ele me disse: ‘Segunda-feira de manhã, celebrarei a Missa por essas intenções e depois tomarei uma decisão’. Não sei por que ele não me disse que faria isso no domingo, dia em que ele também celebraria a Missa, mas acho que provavelmente foi porque ele já tinha uma longa lista de intenções ”, explicou o cardeal Re.

 

O fim de semana passou, contou ele, e “segunda-feira à tarde, o cardeal Dziwisz (secretário do Papa) me deu os papéis com o nome do bispo anotado, como ele havia prometido”.

Primeira tarefa

O cardeal Re também lembrou a peregrinação do Papa ao santuário mariano de Mentorella, um dos santuários mais antigos da Itália e da Europa, em 29 de outubro de 1978. Lá, o pontífice disse ao mundo que “a principal tarefa do Papa é rezar“.

 

O cardeal Re reconheceu a coerência entre as palavras e ações do Papa:

“O Papa rezava para entender seus pensamentos mais profundos e estava convencido de que a primeira coisa que ele precisava fazer era pedir ajuda a Deus para que ele pudesse tomar uma decisão, fazendo a vontade de Deus na solução de um problema. Por fim, João Paulo II era um místico, e isso pode ser deduzido quando nós, seus colaboradores, o víamos fazendo caminhadas ao ar livre, em uma bela região rural, quando tínhamos que deixá-lo em paz para que ele pudesse rezar e contemplar a paisagem”. 


Por : Philip Kosloski

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:38


Uma lição de Pai para Filho

por John Soares, em 10.10.19

Untitled --.jpg

 

Uma lição de Pai para Filho

Um pai antes de morrer disse ao filho: “este é um relógio muito antigo do teu bisavô, tem

 

mais de 200 anos. Antes de ficares com ele vai ao café da rua e tenta vendê-lo para ver

 

quanto vale.” O filho lá foi. Quando voltou disse que o conseguia vender por 10€ lá no café.

 

Então o pai disse: “agora vai à relojoaria e faz a mesma coisa”. O jovem assim fez e na

 

relojoaria conseguiu uma oferta de 30€ pelo relógio. O pai disse: "agora vai ao museu e

 

mostra lá esse relógio". Quando ele voltou disse ao pai: "no museu ofereceram 500.000€

 

pelo relógio!!!”

 

 

O pai então disse: “eu queria que aprendesses que o lugar certo valoriza o teu valor da

 

maneira certa. Não fiques irritado por não te valorizarem no lugar errado. Quem sabe o teu

 

valor é quem o aprecia, nunca fiques num lugar que não combina contigo".

 

 

Conheça o seu valor!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:32


3 passos para deixar o passado para trás

por John Soares, em 07.10.19

Untitled --.jpg3 passos para deixar o passado para trás
de uma vez por todas

É realmente possível pegar uma borracha e limpar o mofo

Eu sou muito bom em mentir para mim mesmo. É uma das coisas que eu faço melhor. Quando considero meu passado, eu sou como um artista tocando novamente minhas ações e comportamentos até que eles brilhem como uma obra-prima perfeita. Todos os cabelos no lugar, cada ação perfeitamente justificável, cada erro facilmente explicado ou jogando a culpa em outra pessoa. Em minha opinião, basicamente tenho uma equipe profissional de relações públicas trabalhando horas extras fazendo meu passado inteiro parecer um desfile constante de triunfo. Eu sou virtuoso. Eu sou ótimo. Eu nunca faço nada de errado.

 

Então, surge a realidade. É divertido como as mentiras que contamos a nós mesmos, não importa o quão bem construídas, sempre têm uma rachadura por onde a verdade brilha. Podemos disfarçar por um tempo fingindo que não existe, mas, em nossos corações nós sabemos que, talvez, no passado, tenhamos cometido alguns erros. Eu disse e fiz muitas coisas das quais não tenho orgulho. Eu não posso me enganar, e as mentiras que eu ensaio na minha mente não fazem nada para aliviar a vergonha e a culpa pelos meus erros. Para cada um de nós, nossas falsidades enterradas espreitam em nosso subconsciente como veneno, influenciando nossas ações atuais de maneira que não entendemos completamente.

 

São Francisco de Sales tem a solução. Em 1609, ele publicou um livro chamado Introdução à Vida Devota, que contém um tesouro de conselhos práticos e reflexão sobre abraçar a pessoa inteira e viver uma vida espiritualmente saudável e feliz. O capítulo 19 é intitulado “Espírito necessário para fazer bem a confissão geral”, e aborda como lidar com a vergonha que perdura do passado.

 

Os erros passados, diz ele, são como um “escorpião que nos fere”. Mas o melhor remédio contra sua picada é destilar o veneno, confrontando diretamente nossa vergonha oculta para explorar e reconhecer todas as nossas ações. Tomar posse de nossas vidas, tanto o bem quanto o mal, é o primeiro passo para a cura. O que é mais importante é sermos honestos quando cometemos erros e não tentarmos justificá-los. Honestidade e humildade são requisitos absolutos. São Francisco diz que, se fizermos uma contabilidade do nosso passado, tornaremos a nossa vergonha uma honra porque a verdadeira tristeza é tão amável que afasta a feiura do passado. É como pegar uma esponja e limpar o mofo. É o primeiro passo para escolher intencionalmente não apenas deixar o passado, mas viver uma boa vida.

 

Então, quais são as dicas práticas para rever seu passado e fazer uma confissão geral?

 

Em primeiro lugar, tire um tempo sozinho e considere toda a sua vida.

 

Pergunte-se quem você era no colégio e na faculdade. Como você era quando um jovem adulto ou quando se tornou pai? Você teve uma fase rebelde da qual você não se orgulha agora? Faça uma lista de cada ação errada ou mau hábito que você lembrar. Por exemplo: “Quando eu estava no ensino médio, eu era terrível para meus pais”. Resuma, se necessário, mas não deixe nada para trás.

 

Em segundo lugar, encontre um confessor ou confidente confiável.

 

Para aqueles que têm o sacramento da confissão disponível em sua tradição religiosa, eu recomendaria um padre. Mas para aqueles que não, sentar-se com um pastor, um diretor espiritual treinado, ou mesmo alguém em quem você confia profundamente é uma boa ideia. Marque tempo suficiente para você conversar sobre sua lista. São Francisco diz: “Diga tudo de forma simples e direta, e satisfaça plenamente a sua consciência ao fazê-lo”. É importante não ficar envergonhado e não ignorar a confissão, porque nunca possuiremos nossas ações e pacificaremos nossos erros se nós não os dissermos em voz alta para outra pessoa. Para remover a vergonha, a humildade de admitir tudo é necessária.

 

Em terceiro lugar, escute.

 

Ouça seu confidente confiável responder ao que você admitiu. Às vezes, outras pessoas reconhecem padrões de comportamento do qual não somos conscientes, e algumas informações interessantes podem resultar. Também é útil simplesmente experimentar a reação da outra pessoa. Quando meu confessor não foge horrorizado com o que eu admiti, é muito reconfortante saber que não estou sozinho em minhas lutas.

 

Além disso, ouça qualquer coisa que Deus ou sua própria consciência possam dizer a você. Depois de dizer tudo o que você precisava dizer, o que você vai ouvir é o som da liberdade, porque quando somos honestos e verdadeiros conosco é como se tivéssemos nos livrado de um fardo e nos sentimos livres.


Por : Michael Rennier 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:08


Durma aquecido !

por John Soares, em 07.10.19

Untitled --.jpg

Durma aquecido!

O relato comovente de um juiz diante de um homem
em situação de rua (e uma dica para você no final)

–Eu procurei sim o assistente social que o senhor falou!

 

Eu saia do shopping onde tinha ido tomar um café. Era domingo, início da noite, a temperatura caira e tudo indicava que a madrugada seria muito fria. O inverno antecipava-se por sobre o tímido outono que até então havíamos tido. Estava à pé, gostava de andar naquele horário.

 

O caminho para casa, com o vento frio batendo em meu rosto me trazia uma sensação agradável, fazia me sentir mais vivo, mais ligado ao tempo, à cidade, ao mundo. Logo que iniciei meu percurso, um rapaz sentado na calçada, vestindo um moletom com boné e capuz, uma bermuda de tactel e calçando chinelo de dedo, ao me avistar começou a falar comigo, como se estivéssemos já no meio de uma animada conversa.

 

De início não entendi o que ele queria dizer e nem se realmente falava comigo, pois podia apenas estar a repetir palavras, pensando alto para si próprio. Mas logo lembrei. Ele falava comigo sim.

 

Semanas antes eu o havia encontrado ali naquele mesmo lugar. Na ocasião ele me cumprimentou pelo meu nome e quando parei para responder, antes de qualquer coisa, ele disse que devia muito a mim pois eu o tinha soltado da prisão fazia uns meses, mas que os tempos estavam difíceis e ele, sem casa e sem trabalho, precisava de uma clínica para se tratar, para se livrar das drogas.

 

Os locais que tinha procurado não o haviam aceitado. Na época eu o orientei como fazer, a quem procurar, ele me agradeceu e depois não mais nos vimos. Até agora.

 

– E você conseguiu ajuda? – Fui direto ao ponto.

 

– Ainda não, não conseguimos vaga – o rapaz se levantou e me estendeu a mão para me cumprimentar.

 

Outras pessoas passavam por nós a passos apertados e nos voltavam o olhar, como se fizéssemos parte de uma cena inusitada ou curiosa, diferente. Deviam se perguntar o que o juiz (aqueles que me reconheciam) fazia conversando com um pedinte ou alguém em situação de rua. Sem nos importarmos continuamos nossa conversa.

 

– Mas então volte lá e diga que eu é que o recomendei – aquele rapaz precisava de uma alternativa.

 

– Vou fazer isso sim, amanhã mesmo.

 

– Faça isso.

 

– Sabe doutor – o rapaz olhou para baixo, como quem conversa com receio da resposta que pode ter – Ontem foi muito difícil, está muito frio, foi bem difícil mesmo.

 

– Você está querendo dizer que foi difícil dormir na rua? É isso?

 

– É, mas eu até estou acostumado. Mas nesse frio, ontem foi mais difícil.

 

Olhei para ele, de bermuda e chinelo de dedo. Eu estava usando sapato, calça, camisa e jaqueta de couro.

 

– E o centro POP?

 

– Eu já fui lá, mas tive uns problemas…

 

– Não precisa me contar, eu entendo – interrompi, não queria que ele achasse que eu o julgava. – E hoje? Você vai dormir aonde?

 

– Por aí, não sei, perto da praça tem uma marquise.
Levei a mão no bolso.

 

– Doutor, não parei o senhor para pedir dinheiro.

 

– Mas eu insisto.

 

Tirei uma boa nota. Ele levantou a mão para pegar. Quando viu o valor, sua mão com o dinheiro apertado dentro dela foi parar na altura do estômago.

 

– Meu deus doutor, muito obrigado! Estou com uma fome. Vou agora mesmo comprar uma comida bem boa.

 

– Faça mais, use esse dinheiro para dormir naquele hotel … que é simples e para viajantes. Acho que não pedem documentação. Se perguntarem de onde é o dinheiro, pode falar no meu nome.

 

– Não sei nem como agradecer.

 

– Não precisa. Amanhã volte a procurar o auxílio como lhe disse. E hoje durma aquecido.

 

Nos despedimos com um forte aperto de mãos. Continuando no caminho de casa, lembrei-me de uma mensagem repassada por minha irmã, sobre neste inverno sempre sair carregando uma muda de roupa a mais para ocasiões como essas. Parei e olhei para trás, não estava mais lá. Eu deveria ter dado minha jaqueta para ele.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:52


Coração de mãe

por John Soares, em 07.10.19

Untitled --.jpg

Coração de mãe

Um conto pequeno com uma lição gigante

 
Era uma vez…

 

Dois jovens que se amavam muito. Ele sonhador e ela interesseira e má. A fim de provar o amor de seu amado, pô-lo à prova. Pediu que ele trouxesse o coração de sua mãe, para testar a sua fidelidade.

 

Assim, o rapaz, triste e abatido, mas apaixonado, cometeu o horrível crime. Após matar sua própria mãe, embrulhou o coração dela num tecido e apressadamente levou-o à sua namorada, como prova que seu amor era maior do que tudo.

 

No caminho, como corria muito, caiu. E o coração rolou ao chão, e de dentro saiu uma voz que dizia: “Meu filho! Você se machucou?”.

 

Temos representado nesse conto três amores: o amor egoísta do filho por sua amada, a da jovem que ama a si mesma a ponto de tornar-se uma assassina, e finalmente o sentimento puro da mãe, que tudo ama e tudo perdoa.

 

O amor de uma mãe foi sempre representado com essa pureza de intenção, abnegação, entrega. Um amor sem limites, profundo, que ultrapassa todas as barreiras humanas. Em uma só palavra, o reflexo do amor de Deus.

Sim. Pois Deus é amor. O apóstolo do amor, São João, afirma que: “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 João 4,8).

 

Ora, então, como podemos explicar que o amor pode levar ao crime, como descrito acima?

 

Santo Agostinho, quando trata sobre a caridade, nos explica que o amor é sempre bom. Mas o objeto amado é que fica a sujeito ao erro. No caso acima, o rapaz enamorado escolheu uma pessoa má para depositar sua paixão. Essa é uma razão pela qual devemos ter muito cuidado quanto à escolha do objeto amado, para dar o nosso amor.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (João 15,12,13).

 

Amar todas as criaturas por amor de Deus: é nessa medida que poderemos encontrar a verdadeira paz que o mundo atual tanto procura, pois, como diz São Bernardo, “a medida de amar a Deus é amá-lo sem limites”.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:32


E quando a mãe precisa trabalhar fora?

por John Soares, em 07.10.19

Untitled --.jpg
E quando a mãe precisa trabalhar fora?

O testemunho de uma mãe católica de 5 filhos
que busca sua santificação também no trabalho fora de casa

Há algum tempo eu venho meditando sobre a grande graça que é poder estar em casa. E, ao mesmo tempo, sobre como hoje há um discurso quase unilateral a respeito da mulher, como se ela se santificasse apenas no lar. Isso não é verdade. Cada um de nós se santifica dentro da realidade tão particular em que Deus nos colocou. Eu pude escolher ficar em casa e eu sou tão feliz por isso, que é o que eu desejo a todas as mulheres. Mas, infelizmente, muitas adorariam ficar em casa e não podem, pois a realidade é mais dura do que apenas escolher.

 

Este texto é um testemunho belíssimo de uma vida entregue à vontade Divina. A santidade não está em cumprir regras e em sermos todos iguais, mas sim em, acolhendo as particularidades que a Providência nos dá, nos abandonarmos totalmente nas Mãos Daquele que sabe dispor tudo para o nosso Bem.




Pensei  em inúmeras formas de começar esse texto, mas ainda não sei qual seria a mais adequada, por isso, não será algo apenas sobre mães que trabalham fora, mas mais que isso, é um pouco da minha história.

 

É verdade que cresci em meio católico, mãe católica, Missas, etc., mas minha história de conversão verdadeira começa com a maternidade. Não podendo desconsiderar o terreno em que essa vocação foi germinada, iniciamos um pouco antes. Apesar de nos dar pouca catequese propriamente dita, minha mãe sempre foi uma mulher de muita oração e de um coração ancorado no Senhor. Eu não sei como eu teria enfrentado tantos problemas se estivesse no lugar dela. E aqui encontramos meu modelo. Com o coração no alto e os pés no chão, minha mãe nunca aceitou que não estar conosco em tempo integral fosse justificativa para não ser presente, menos ainda de não amar a Deus.

 

Há muitos anos minha vida é tocada pela providência divina. Há quem limite esse dom a seus aspectos materiais, mas a ação de Deus vai além disso. Quando me casei jamais pensei que hoje teria 5 filhos e que esperaria com o coração aberto e desejoso ter ainda mais, se Deus assim o quiser; Jamais pensei em me enamorar do “papel tradicional” de mulher; Jamais pensei em ter que renunciar a isso e o quanto isso poderia custar. A providência veio me contemplar com a melhor inspiração que pudesse ter: almejar o ideal.

 

Parece-me que cada filho que o Senhor me deu, veio me arrancar pedaços, seguranças, medos, juízos de valor deturpados; Veio modificar minha realidade, dilatar o amor e revelar aquilo que realmente importa; Veio lançar luz sobre a Verdade e me fazer deseja-la acima de qualquer outro bem. E então, junto à verdade, a renúncia. Encarar a realidade antiga com um novo olhar é libertador, mas também pode ser profundamente doloroso.  Tive que aprender a me dividir, a oferecer e o fazer com alegria. “Ninguém faz bem o que faz contra a vontade, mesmo que seja bom no que faz.” (Santo Agostinho)

 

A providência me alcançou um curso superior e depois, um trabalho. Mas e aí? Será que não era apenas um teste para a minha fé? Tire as conclusões que quiser, pois a dinâmica do seio familiar cabe ao casal. A nós, foi um grande sinal do amor de Deus. Resposta a orações que eu nem pensei que seriam atendidas, tamanha a improbabilidade. A providência nos concedeu um novo rumo: nova casa, nova cidade, mais bebês… Mais amor de Deus. Foi nesse tempo que a condição de trabalhar fora mais pesou;  Foi nessas condições que Deus forjou ainda mais a minha fé e me abriu os olhos para o modo como eu precisaria conduzir minha vida. Assim como a minha mãe: com os pés no chão e o olhar para o céu.

 

Aprendi que é preciso fazer valer a pena. Primeiro que, se acredito que foi a providência que me concedeu o que tenho hoje, seria um grande pecado desonrar meu emprego ou desdenhá-lo. Depois, se já passo parte do dia longe das minhas crianças, que sentido teria  essa renúncia se fosse por algo sem valor? Hoje trabalho com famílias vulneráveis e as tomei como missão. É preciso ser luz, é preciso disseminar a verdade e, se eu não estivesse onde estou hoje, muito provavelmente essas pessoas a quem eu assisto com meu trabalho, estariam sendo assistidas por pessoas despreparadas, ou pior, doutrinadas como tantos outros profissionais que vemos por aí. Já disse Santa Teresa que “é justo que muito custe o que muito vale”, então é também pelas minhas crianças que eu honro o trabalho que Deus me deu.

 

Ainda almejo poder cuidar da minha casa exclusivamente, mas me dedico de coração ao que tenho hoje por acreditar que realizar a vontade de Deus é também encontra-lo nas pequenas adversidades, nas contrariedades. Talvez, se eu não precisasse renunciar a isso, eu nunca conseguiria perceber o valor de viver assim, do modo ideal, o desempenho da minha maternidade. Os santos nos deixaram bons testemunhos e o caminho das pedras. Santa Teresa e Santa Teresinha foram chamadas ao mesmo carisma e viveram sua vocação de modos tão diferentes. Quantas Santas foram rainhas, quantas outras, donas de casa.

 

Não desperdicemos nossa energia insistindo em nos colocar em formatos pré-determinados ou sendo medíocres em fazer aquilo que nos custa. Lembremos-nos do jovem rico que já cumpria todos os preceitos, mas se entristeceu ao ser constrangido por um único pedido feito por Jesus. Almejemos o ideal, não o convencional, mas aquele único que importa: responder ao chamado que o Senhor faz exclusivamente a nós.

 

Encerro com uma frase de São Josemaria Escrivá que ficou impressa no meu coração desde que descobri o preço a pagar, a minha renúncia: “Fazei tudo por amor, assim não há coisas pequenas: tudo é grande. A perseverança nas pequenas coisas, por amor, é heroísmo.”

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:57


O homem que nunca havia rezado

por John Soares, em 04.10.19

Untitled --.jpg

O homem que nunca havia rezado

Ele estava no leito de moite quando tudo aconteceu ...

 
Ia morrer: no sorriso artificial de todos, que tratavam de enganá-lo anunciando-lhe uma próxima melhora, via que ia morrer.

 

Não tinha fé, nem caridade, nem esperança.

 

Nunca havia rezado e se jactava disso, como de uma façanha; não tinha apego à vida, nem temor da morte.

 

Dentro de uma hora, de duas, no máximo três, deixaria de viver.

 

Pediu que se afastassem para dormir um pouco e fechou os olhos.

 

Queria espiar os mínimos detalhes de seu próprio perecimento: uma imensa curiosidade; algo pueril, incrível.

 

A curiosidade do incrédulo que quis deliberadamente construir seu próprio Deus, para adorar sua própria obra, que é como adorar-se a si mesmo. Ao final, ver como se porta esse Deus.

 

Sua doença era uma anemia sem dores, que lhe deixava livre o espírito para espiar a chegada da morte. Queria estar acordado, porque se dormia, não despertaria nunca mais.

 

Já não tinha fé nem em si mesmo, seu único deus.

 

Relampejava em seu cérebro uma dúvida fastidiosa: se para além da cortina negra que logo iria abrir-se, haveria algo distinto do que havia pensado. Para assistir ao ultimo minuto de sua vida e o primeiro de sua morte, com lúcido entendimento, havia se negado tomar qualquer droga que pudesse anestesiá-lo.

 

Sua curiosidade começava a inquietá-lo. Como que se encontraria quando o braço descarnado da morte descorriera a negra cortina? Veria o que antes nunca quis ver? Um Deus talvez? Mas não um deus feito por suas mãos, senão esse Deus eterno, onipotente, ao qual nunca havia rezado?

 

Tantas vezes afirmou diante dos homens que Deus não fazia falta para compreender nenhuma das coisas do universo, que acabou por crê-lolo; e sem a existência de Deus houvesse dependido dele, quer dizer, se tivesse em suas mãos apagar do universo esse Deus desnecessário, o faria tranquilamente.

 

Imediatamente pensou que morrer não era passar ao outro lado de uma cortina negra. Posto que não tinha força nem sequer para mudar de lado em sua própria cama, morrer seria cair a plomo em um abismo escuro e afundar sem ruído em uma água cenagosa, pestífera, que se fecharia sobre sua cabeça.

 

Fora um ou outro, além dessa cortina ou na profundidade desse pântano hediondo, não se depararia, de repente, com essa Luz que ele havia apagado no mundo, Luz que lhe clarearia as coisas que já não poderia mudar, porque já concluído o tempo para ele?

 

Um suor gelado banhou seus membros e a língua se grudou ao céu da boca.

 

Tentou gritar e pedir que lhe trouxessem alguém com quem falar secretamente nestes últimos minutos, em que ainda podia mudar sua eternidade.

 

Mas de sua garganta não saiu mais que um estertor.

 

Ainda está vivo. Ouviu que alguém dizia, tocando seu pulso.

 

Sim, estava vivo e queria que entendessem que precisava o que sempre havia rechaçado, algumas vezes com escárnio (burla) e desprezo e outras com tal ódio e fúria que agora ninguém proporia. E sua língua já estava morta.

 

Lembrou-se que pertencia a uma sociedade de incrédulos que haviam se comprometido a não pedir auxílios religiosos na hora da morte e não atender a pedidos que algum deles fizesse naquela aflição, porque seria sinal de reblandecimento cerebral. Retratavam-se antecipadamente dessa possível debilidade quando estavam no pleno domínio de sua inteligência e de sua vontade.

 

Ele se encontrava prisioneiro daquele juramento e rodeado de amigos que não o escutariam, ainda que gritasse a noite toda.

 

Havia renegado a Luz e a Luz havia se retirado dele. Havia pecado contra o Espírito.

 

Com suas próprias mãos havia construído seu deus, um deus em que já não acreditava. E já, tampouco, sentia pavor senão pavor do que encontraria. Oh, se fosse certo que para além da morte não existisse nada! Eis aqui que ele, pregador do Nada, agora acreditava que havia mentido para os outros e havia mentido para si mesmo.

 

Ouviu o médico que em voz baixíssima disse: – Já está morto!

 

E essa sentença prematura gelou de tal modo seu coração sem caridade, que não pode engendrar um só pensamento cristão. O tempo acabou. Deu um grito espantoso, que não chegou a sair de sua garganta, e caiu a plomo na água negra e pestilenta.

 

A escuridão era tão imensa, que ao seu lado as mais sombrias trevas do mundo pareceriam luminosas.

 

Neste momento sentiu a voz de um anjo que cantava o Nome que está acima de todo nome, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. E ocorreu o que disse São Paulo, que ao ouvir-se o nome de Jesus todo joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos.

 

E se abriu a porta de bronze que nenhum fogo funde, e o homem que nunca havia rezado por não ajoelhar-se ante ninguém, entrou de joelhos nos infernos.

 

Oh, prodígio! A escuridão era ali muito mais densa, mas os olhos do condenado a transpassavam como flechas vermelhas; e viram que ali havia penetrado a voz do anjo, e aquele mundo de impenitência o escutava de joelhos. E mais além, muito mais além, divisou ao que por toda a eternidade ia ser seu rei e senhor, rodeado de uma multidão de sombras pálidas, muito tristes, ajoelhadas. E compreendeu que o diabo formava sua escolta predileta com os que nunca haviam rezado e que só nos infernos se ajoelhavam.

 

E compreendeu também uma coisa terrível, que ele mesmo dava fé: que nenhum só deles havia sido verdadeiro ateu. Todos, no segredo de sua obstinação, haviam acreditado em Deus, mas não haviam confessado para não humilhar-se ante Ele, nem na escuridão de um aposento. Agora, ao dobrar seus joelhos com espantoso rugir de ossos, sentiam o pior dos tormentos do inferno* [*a privação de Deus]; mas sua obstinação era tão grande, que se pudessem escapar por algum resquício das irredutíveis portas, nenhum deles se arrependeria, por não rezar ao que nunca haviam rezado.

 

Suas almas estavam irremediavelmente secas para o Amor que nasce na humilde oração.

 

Foi tão horroroso seu desespero que deu um alarido e ouviu seu médico dizer: – Me equivoquei! Ainda vive! Mas logo perecerá.

 

Entendeu que havia sonhado aqueles horrores e se arrependeu de sua insensatez. E com esforço desesperado conseguiu articular estas palavras:

 

– Traga-me um sacerdote!

 

Uma pobre empregada, que não estava sob o juramento dos incrédulos lhe obedeceu. Trouxe-lhe o sacerdote, cuja mão consagrada rompeu a couraça de barro que envolvia seu coração; seus pecados se desprenderam de sua alma, como escamas, e pela primeira vez rezou.

 

Morreu uma hora depois e entrou no céu de joelhos, chorando de jubilo. E pôde ver a face de Deus.

 

Por :  Vera Fidei

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:20



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D