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Desastres naturais nos Açores de 1713 a 1800

por John Soares, em 27.03.21

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1713 — Inundações na vila de Velas, ilha de São Jorge - A 10 de Dezembro deste ano, chuvas muito intensas na zona entre a Urzelina e os Rosais provocaram grandes inundações, destruindo 27 casas na vila de Velas. A Ribeira do Almeida veio tão carregada de caudal sólido que criou uma praia que permitia a passagem a pé entre a vila e a Queimada.

 

1713 — Erupção de lamas e gases do Pico das Camarinhas, ilha de São Miguel - Após várias semanas de contínuos abalos, em finais de Dezembro de 1713 apareceram nas faldas do Pico das Camarinhas "lamas quentes" e gases, tendo a manifestação vulcânica ficado por essa fase. A crise sísmica destruiu muitas casas nos Ginetes, Mosteiros e Candelária.

 

1713-1714 — Mau ano agrícola, fome e peste - Um mau ano agrícola, a que não foi alheio ciclone tropical de 25 de Setembro de 1713, levou a que em São Jorge fosse tal "a falta de mantimentos que chegou a morrer muita gente de fome". No Pico, o povo teve de recorrer a comer "socas e raízes" para sobreviver. Noutras ilhas também as colheitas falharam e grassou a fome. Como se tal não bastasse uma epidemia de peste provocou alguns milhares de mortos. No Pico terão morrido 5.000 pessoas e no Faial 500 pessoas, entre as quais 49 religiosos dos conventos da Horta.

 

1717 — Grande crise sísmica de 1717 na ilha Graciosa, causando grande destruição nas freguesias de Guadalupe e de Luz. Desta crise sísmica resultou o voto, ainda cumprido na actualidade, de fazer uma procissão desde o Guadalupe até a Ermida da Ajuda, no Monte da Ajuda em Santa Cruz da Graciosa.

 


1717-1718 — Epidemia no Faial - De Novembro de 1717 a Fevereiro de 1718 grassou no Faial uma epidemia de "pleurizes" (peste bubónica) que causou muitas mortes. Em Novembro morreu grande parte dos moradores dos Cedros, o mesmo acontecendo em Castelo Branco e Flamengos. Fizeram-se procissões e preces públicas.

 

1718 — Erupção em Santa Luzia do Pico - A 1 de Fevereiro, pelas 6 da madrugada, ouviu-se uma "espantosa trovoada que encheu de terror os hortenses" e iniciou-se uma erupção vulcânica entre as Bandeiras e Santa Luzia, surgindo torrentes de lava que rapidamente formaram um extenso mistério (o Mistério de Santa Luzia) que penetrou mar adentro. Ver localização do centro eruptivo.

 

1718 — Erupções em São Mateus e São João do Pico - Na madrugada do dia 2 de Fevereiro, com enormes estrondos acompanhados de violentos sismos deu-se uma explosão no lugar da Bragada, entre São Mateus e São João. Começou logo "o fogo a correr em caudalosas ribeiras para o mar, na distância de duas léguas, formando um vasto mistério". No dia 11 de Fevereiro rebentou no mar, a distância de 50 braças da terra, defronte da igreja de São João, emitindo grandes pedras ardentes que devastaram aquela freguesia. A 24 daquele mês, uma nova erupção iniciou-se no caminho que liga São João ao Cais do Pico em lugar sobranceiro à freguesia de São João. As erupções cessaram a 15 de Agosto, recomeçando em Setembro. A actividade terminou em princípios de Novembro. Ver localização do centro eruptivo.

 

 

1720 — Erupção no Soldão, Lajes do Pico - A 10 de Julho iniciou-se por "dezasseis bocas nas faldas do Pico, por detrás do cabeço do Soldão" uma erupção que "inundou de fogo" perto de uma légua quadrada, consumindo terras e vinhedos e destruindo 30 casas "cujos moradores salvaram suas vidas fugindo precipitadamente". A erupção foi precedida de numerosos sismos e perdurou até Dezembro daquele ano. Ver localização do centro eruptivo.

 

1720 — Erupção no Banco D. João de Castro origina uma ilha efémera - No dia 10 de Outubro viu-se da ilha Terceira, a alguma distância dela, sair do mar um grande fogo. Marítimos que foram observar de perto o fenómeno viram uma ilha toda de fogo e fumo, de onde uma prodigiosa quantidade de cinzas eram lançadas no ar com o ruído de um trovão. A erupção foi precedida de muitos tremores, sentidos na Terceira e na costa oeste de São Miguel. A ilha formada era quase redonda e suficientemente alta para ser avistada de 7-8 léguas de distância. Perdurou até finais de 1723, sendo desfeita pelo mar.

 

1730 — Sismo causa destruição na freguesia da Luz, Graciosa - A 13 de Junho um violento sismo provocou destruição generalizada na freguesia da Luz, ilha Graciosa.

 

1732 — Cheias provocam 5 mortos em São Jorge - A 6 de Dezembro grandes cheias provocaram destruição em São Jorge, matando 5 pessoas. Os lugares mais afectados foram Urzelina, Figueiras, Serroa e Velas.

 


1744 — Ciclone tropical causa grandes cheias - A 5 de Outubro "caíram nestas ilhas copiosíssimas chuvas que inundaram as terras correndo em caudalosas ribeiras". Em resultado dessas cheias, na Prainha do Galeão (Pico) morreram 7 pessoas arrastadas ao mar; na Prainha do Norte (Pico) morreram 6 pessoas e outras 5 pereceram em São Roque (Pico). Em São Miguel também houve mortes em Agua de Pau e nos Fenais.

 

1745-1746 — Mau ano agrícola provoca fome e emigração em massa - Em resultado das cheias de 1744 e do mau ano agrícola que se seguiu, em 1746 faltaram os cereais, havendo fome generalizada nos Açores. No Pico, o povo "recorreu a socas e raízes para manter a vida e faltando-lhe mesmo esse mísero alimento emigrou para as mais ilhas". Em resultado da desnutrição grassavam as doenças, fazendo grande mortandade. Face a esta situação, por alvará régio foi autorizada a emigração para o Brasil, tendo partido pelo menos 1600 pessoas.

 

1755 — Maremoto atinge os Açores - O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 provocou o grande maremoto de 1755 (um tsunami) que atravessou a área oceânica onde os Açores se situam, afectando essencialmente as costas viradas a sul e sueste, direcção de onde as ondas se aproximaram das ilhas. O maremoto fez com que "estando o mar em ordinária tranquilidade, se elevou tanto em três contínuas marés ficando quase seca a sua profundidade por largo espaço". Assim, em Angra o mar entrou até à Praça Velha, causando grande destruição; no Porto Judeu o mar subiu "10 palmos acima da rocha mais alta"; na Praia, inundou o Paul e derrubou 15 casas na costa até à Ribeira Seca, incluindo a ermida do Porto Martins. Morreram várias pessoas arrastadas pelo mar. Quase todos os portos dos Açores sofreram graves danos, ficando destruídas muitas embarcações. Em Ponta Delgada o mar subiu pelas ruas estragando muitos edifícios. Na Horta, o mar entrou pela Ribeira da Conceição, chegando aos moinhos de água "na altura de 8 palmos".


1757 — Grande terramoto de São Jorge: o Mandado de Deus - Em 9 de Julho de 1757 um dos mais violentos, senão o mais violento, dos terramotos de que há memória nos Açores atingiu a ilha de São Jorge causando destruição generalizada e formando muitas das actuais fajãs, entre elas a da Caldeira de Santo Cristo. O terramoto ficou conhecido na tradição popular pelo Mandado de Deus. Dos grandes deslizamentos resultou um maremoto que atingiu todo o Grupo Central. Pelo menos 1053 pessoas morreram em São Jorge e 11 no Pico. O terramoto foi tal que a norte desta ilha, distância de 100 braças, pouco mais, se levantaram dezoito ilhotas, umas maiores que outras. Apareceram todas na manhã do dia 10 [de Julho]. É navegável o mar entre as ditas, e a ilha. Nas Fajãs dos Vimes, São João e Cubres, se moveu a terra, voltando-se do centro para cima, de sorte que nelas não há sinal [de] onde houvesse edifício. No Faial o sismo foi sentido sem causar grandes danos.

 

1759-1760 — Crise sísmica de 1759-1760 no Faial - Em 24 de Dezembro de 1759 foi sentido um grande sismo no Faial, seguido de muitas réplicas. A 4 de Janeiro um sismo ainda maior causou o pânico, tendo sido deliberado ir "à Praia do Almoxarife a buscar a imagem do Senhor Santo Cristo que em solene procissão trouxeram para a igreja da Misericórdia". A crise sísmica apenas deixou de ser sentida em Maio, tendo-se celebrado solene Te-Deum.

 

1761 — Erupção vulcânica no Pico Gordo, Terceira - Sentiam-se desde 22 de Novembro de 1760 grandes e violentos tremores que continuaram até 14 de Abril do ano seguinte, dia em que tremeu a terra estranhamente. No Faial os sismos eram sentidos, "ainda que brandos". A 17 de Abril iniciou-se a erupção nas proximidades do Pico Gaspar, a W do Pico Gordo, sendo emitidas lavas traquíticas muito viscosas que formaram uma doma. A 21 de Abril, nova erupção, desta vez a leste do Pico Gordo, na Criação do Chama, iniciou a emissão de lavas basálticas muito fluídas que formaram três correntes de lava, uma das quais atingiu os Biscoitos, onde soterrou 27 casas, terminando nas imediações da igreja de São Pedro, a cerca de 7 km do local da erupção.

 

1761 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - A 29 de Setembro de 1761 foi a Terceira atingida por um temporal "por efeito do qual ficaram derrubadas muitas casas e arrancadas muita quantidade de árvores". Copiosas chuvas fizeram transbordar as ribeiras.

 

1779 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - Na noite de 30 para 31 de Outubro levantou-se um rijo temporal que trouxe à costa 7 navios e arruinou as muralhas da Horta.

 



1779 — Epidemia nas Flores - Grassaram neste ano na ilha das Flores febres mortíferas de que morreu muita gente.

 

1785 — Mau ano agrícola provoca fome - Foi este ano muito escasso em cereais em todo o arquipélago. Na ilha das Flores morreram algumas pessoas de falta de alimentos.

 

1787 — Crise sísmica na Graciosa - Em Março deste ano, uma crise sísmica abalou a ilha Graciosa sem, contudo, causar danos consideráveis.

 

1792 — Enchente de mar vila de Velas, São Jorge - A 23 de Janeiro deste ano, foi "tão impetuosa a bravura do mar" que derrubou a muralha de protecção, destruiu uma casa e danificou outras, ameaçando atingir a praça defronte da Matriz de Velas.

 

1800 — Terramoto no NE da Terceira - Na tarde do dia 24 de Junho, um terramoto destruiu boa parte dos edifícios das freguesias do NE da Terceira, atingindo mais intensamente as povoações situadas entre a Vila Nova e a vila de São Sebastião. Foi seguido de uma grande réplica a 29 de Dezembro. Não causou mortos, mas os danos materiais foram grandes. Leia mais sobre o terramoto de 1800.

Por : Autor desconhecido

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publicado às 14:40


O Herói da fronteira de Wyoming é Açoriano

por John Soares, em 27.03.21

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John Phillips – também conhecido por Portuguese Phillips ou ainda, de acordo com a oralidade da época, Portugee Phillips – nasceu no lugar de Terras, Lajes do Pico, a 28 de Abril de 1832, com o nome de Manuel Filipe Cardoso.

 

No livro "The John ‘Portugee’ Phillips Legends", o investigador norte-americano Robert A. Murray dá uma ideia da dimensão a que chegou a sua "canonização pagã": "À medida em que o processo de ficcionalização continuou, Phillips transcendeu o carácter de pioneiro determinado e atingiu a mesma categoria mítica, impossível, a que os escritores guindaram Daniel Boone, David Crockett, Kit Carson ou muitas outras figuras da fronteira."

 

John Phillips, um simples guia ao serviço do exército sedeado no recém-estabelecido Fort Phil Kearny, no então Território do Dakota (hoje no Nebraska), realizou um único grande feito na vida, mas foi o suficiente para a sua lenda durar até aos dias de hoje.

 
 

Ainda hoje não se sabe com total precisão o que é realidade e o que é mito. Mas, de noite, sob um forte nevão e perante temperaturas abaixo de zero, Phillips terá cavalgado na companhia de Daniel Dixon cerca de 190 milhas (300 quilómetros) ao longo do Trilho de Bozeman até Horseshoe Station, aí chegando na manhã de Natal.

 

Expediu um telegrama para Fort Laramie, em Horse Creek (Wyoming), a pedir ajuda, e, como se não bastasse, descansou algumas horas e dirigiu-se ele próprio para o forte, ao longo de mais 40 milhas (65 quilómetros), para certificar-se que era enviado socorro para o Fort Phil Kearny. Com isso, salvou a vida de mais de 90 pessoas. O seu cavalo, hoje mítico, chamava-se Dandy.

Por : Pierre Truis

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publicado às 14:06


O pirata que morreu nos Açores

por John Soares, em 27.03.21

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François le Clerc, também  chamado  como Francis le Clerc , Normandia, 15?? - 1563, apelidado de "perna de pau" ("Jambe de Bois" pelos franceses, "Peg Leg" pelos ingleses ou "Pata de Palo" pelos espanhóis), foi um corsário francês do século XVI. É reconhecido como o primeiro pirata da Era Moderna a usar uma prótese para substituir um membro inferior. Também foi o primeiro a possuir uma "carta de marca", expedida por Henrique II de França.

Frequentemente era o primeiro homem a invadir um navio inimigo durante uma manobra de abordagem. Esse comportamento intrépido é que, eventualmente, o levou a sofrer a perda de uma perna e graves danos a um braço, quando em combate com os ingleses ao largo de Sark e Guernsey em 1549. Embora muitos piratas tenham tido as suas carreiras encerradas por ferimentos dessa magnitude, le Clerc recusou-se a aposentar-se, tendo mesmo alargado o seu raio de ação através do financiamento de viagens e dos ataques de outros piratas.

Henrique II de França concedeu-lhe um título de nobreza em 1551, como reconhecimento à sua coragem.

 

 

Em 1553 junto com Jacques de Sores e Jean-François de la Rocque de Roberval (conhecido pelos espanhóis como Roberto de Baal, também chamado  como Robert Blundel) assumiu o comando de 6 galeões, 8 caravelas e 4 patachos transportando um efectivo de 800 homens. Nesse mesmo ano, liderou um ataque contra a cidade de Santa Cruz de La Palma, no arquipélago das Canárias, que saqueou e incendiou  a 21 de Julho . Esta armada também atacou e saqueou San Germán, a segunda cidade mais antiga de Porto Rico, e saqueou metodicamente os portos de Hispaniola (Cuba), de sul para norte, a ilha de Mona, a ilha Saona, Yaguana e outras, roubando toda a artilharia possível no percurso. Ainda em 1553 le Clerc recebeu o comando do "Le Claude", um dos 12 navios guarda-costas da Normandia.

Com oito embarcações e 300 homens saqueou Santiago de Cuba em 1554 durante um mês, tendo se evadido com um tesouro de 80.000 pesos. Esta, que foi a primeira capital de Cuba, assim completamente devastada, foi a partir de então eclipsada por Havana, jamais tendo voltado a recuperar a sua antiga prosperidade. Em seguida navegou em direcção ao mar dos Açores. A frota obteve um grande butim e, na viagem de volta, saqueou a cidade de Las Palmas, na ilha de Gran Canaria.

 

 

Ele e sua tripulação de 330 homens foram os primeiros europeus a estabelecer-se na ilha de Santa Lúcia, e a utilizar a vizinha Pigeon Island para assaltar os galeões de tesouro espanhóis que transitavam ao largo da Martinica.

Em 1560, enquanto aguardava uma frota de tesouro espanhola transportando uma carga de ouro, causou grandes danos aos assentamentos ao longo da costa do Panamá.

 

Em abril de 1562, os protestantes em várias cidades da Normandia rebelaram-se contra o soberano católico romano. Isabel I da Inglaterra despachou forças britânicas para ocupar Le Havre até junho de 1563. Le Clerc juntou-se às forças inglesas e devastou a navegação francesa. Em março de 1563 pediu à soberana uma grande soma em prata como uma recompensa por suas ações. Quando a soberana declinou o seu pedido, ferido em seu orgulho, le Clerc partiu para o arquipélago dos Açores, onde veio a ser morto, naquele mesmo ano, enquanto caçava navios de tesouro espanhóis.

 

Faleceu nos Açores em 1563.

 

Por : Jacinto Tavares

 

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publicado às 13:39

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1886 , Furnas, Ilha de São Miguel

A  Lenda da Caldeira de Pêro Botelho

Nas Furnas, vai para muitos anos, vivia um homem de muito mau feitio chamado Pêro Botelho.
Como muitos outros da Povoação, tinha por hábito ir cozer vimes e milho às caldeiras de água a ferver, restos de vulcões que havia no fundo da freguesia.
Ora, uma dessas caldeiras, de acesso bastante perigoso, continha uma lama usada na cura de diversas doenças, nomeadamente o reumatismo.
E uma vez Pêro Botelho, que lá ia buscar lama, escorregou e enfiou-se por ela.
Ah, parecia que se adensava o forte cheiro a enxofre que lá exalava, como se aquilo fosse a entrada para o inferno!
Pêro Botelho bem gritou, mas ninguém lhe pôde valer.
E também ninguém mais o viu depois de ter mergulhado naquela caldeira imensa.
Apenas os gritos dele ecoavam de quando em quando:
— Tirem-me daqui! Tirem-me daqui!
Dali em diante, se alguém se aproximasse da boca da caldeira e chamasse por ele, levava uma baforada de fumo de enxofre e alguma pedra, vindas lá do fundo, misturadas com lama da cor da cinza e fumo.
As gentes da Povoação passaram a chamar àquela sulfatara Caldeira de Pêro Botelho.
E a verdade é que sempre tremiam de medo daquele homem mau tragado pelo inferno cada vez que tinham de ir ali recolher a lava de efeitos curativos.
Mas, saibam, antigamente a freguesia das Furnas era mais para os lados da Alegria, mesmo atrás do lugar onde se situam as caldeiras.
Pois aí encontrava-se uma capela dedicada a Nossa Senhora da Alegria.
E diz a lenda que uma vez a terra começou a tremer e das fracturas do chão irrompiam línguas de lume.
Desfaziam-se os casebres e as pessoas andavam em pânico.
Naquela tragédia, a capela ficou soterrada, mas houve alguém que conseguiu salvar a imagem da Virgem.
Acalmando-se o vulcão, os sobreviventes foram à freguesia ver como aquilo tinha ficado.
Mas estava tudo destruído e nada os atraía a voltarem a viver ali.
E como tinham fugido para as bandas de Santana, ali mesmo quiseram ir construir os seus novos lares.
E junto deles queriam fazer uma outra capela para guardar a imagem.
Porém, a pedra junta num dia aparecia na manhã do outro no sítio onde o vulcão destruíra a anterior.
As gentes ficaram à coca de noite e obrigaram Nossa Senhora da Alegria a varrer as pedras pelo Caminho do Repuxo, no sentido que lhe interessava.
No entanto, conta a lenda, foi mais o medo da terra perdida do que o amor pela Senhora.
Assim, o novo templo, dedicado à Senhora de Santana, foi feito noutro local, ficando sem construir o da Senhora da Alegria.
A imagem desta, salva do incêndio pela coragem de um paroquiano, encontrava-se queimada no rosto e foi levada para a Caloura, como se aquilo fosse para esquecer.
Porém, não há muitos anos, uns lavradores encontraram no sítio da antiga igreja, a que o vulcão soterrou, uma caveira e um cálice que era usado nas celebrações litúrgicas.

Gravura retirada do livro: “The Azores or Western Islands"

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publicado às 19:44


Lenda - Rabo de Peixe - São Miguel, Açores

por John Soares, em 15.03.21

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Há muitos anos atrás, por meados do século quinze, São Miguel começava a povoar-se e pequenos aglomerados de pessoas desenvolviam-se, uns em zonas interiores, outros à beira-mar.Na costa norte da ilha de São Miguel, numa zona plana junto ao mar, vivia um grupo de pessoas que subsistia cultivando a terra e, principalmente, apanhando o abundante peixe que havia no mar.
Um dia uns homens desse lugar estavam sentados à beira-mar e discutiam entre si o nome que haviam de dar ao povoado. Uns queriam um nome e davam as suas razões. Os outros não concordavam e sugeriam outros nomes que lhes pareciam mais apropriados.
Estavam nesta conversa animada quando, olhando para o mar mesmo ali ao pé, viram um rabo de um pequeno peixe a flutuar sobre as águas. Há dois dias atrás acontecera que um grande peixe, cheio de fome, andava à procura de comida e, vendo um peixinho, pusera-se a correr atrás dele. Pressentindo o perigo, o pequeno peixe, para não se deixar comer pelo feroz inimigo, correra de um lado para o outro, desorientado. Apesar de ter tentado escapar, nadando com toda a velocidade e em várias direcções, não tinha conseguido salvar-se. Tinha ficado partido ao meio, indo a cabeça para um lado e o rabo para o outro, acabando por ser trazido para a costa pela corrente.
Um dos homens que tentavam encontrar um nome para o lugar disse para os outros:
- Olhem vocês, é um rabo de peixe. É assim que a nossa freguesia se vai chamar, "Rabo de Peixe".
Todos riram com a ideia estranha, mas ao mesmo tempo ficaram contentes, concordaram por não terem melhor proposta e por ser um nome apropriado para um lugar de pescadores.
O pequeno lugar passou a chamar-se Rabo de Peixe e hoje é uma das maiores freguesias de São Miguel e os seus habitantes, na maioria, são pescadores.

Autor desconhecido

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publicado às 19:08

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Há anos, no local em que hoje é a Lagoa das Furnas, havia uma aldeia onde as pessoas viviam felizes e se divertiam sem parar.
Uma bela manhã, um jovem, quando foi buscar água à fonte para os arranjos domésticos e para dar aos animais, viu que a água era salgada. Este acontecimento estranho fez com que o moço adivinhasse que alguma coisa anormal iria acontecer com a população da sua terra. Aflito, correu a contar aos vizinhos o que vira e o que pensava, mas ninguém o acreditou.
Passados dias, o rapaz voltou à fonte e ainda ficou mais espantado quando viu o peixe sair! Convenceu-se definitivamente de que iria acontecer qualquer coisa desagradável à sua pequena aldeia. A população não fez caso.
O avô, homem já velho, disse às pessoas que parassem com os bailes e festas e que fosse um mais ligeiro ao alto de um pico a ver se no mar, para os lados do norte, estava uma ilha à vista.
O povo pôs-se a rir e continuou com os festejos. Mas o velho subiu como pôde mais o neto ao alto do monte e de lá começou a chamar pelos outros e a dizer-lhes que fossem para a igreja porque estava à vista a ilha encantada das Sete Cidades, sinal de desgraça. Ninguém lhe ligou.
Por esses dias, o dito rapaz teve de sair da aldeia para ir vender alguns animais na freguesia vizinha. Demorou algum tempo no seu negócio, mas voltou finalmente com a alegria de quem esteve longe e chega a casa. Quando se aproximava, começou a aperceber-se que tudo lhe parecia diferente.
Finalmente chegou. Porém, no lugar onde deveria encontrar a sua terra, só estava uma grande lagoa de água tranquilas.
Um cataclismo soterrara para sempre a povoação, mas lá em baixo a vida continuava. É por isso que hoje nesse lugar se percebe um cheiro intenso de pão cozido pelas pessoas que continuam a sua vida na povoação escondida pela bela Lagoa das Furnas.

Autor desconhecido

 

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publicado às 18:51

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Naquele tempo antigo, havia umas freiras viviam no Convento da Caloura e que se sentiam muito tristes, porque o povo de Água de Pau andava muito afastado da fé e do temor a Deus. As religiosas rezavam fervorozamente para que aquela população voltasse a ter fé e amor ao Senhor.
Tinham esperança que se houvesse uma imagem nova no Convento, talvez a atitude dos paroquianos se alterasse e despertassem de novo para a fé.
Escreveram uma carta a sua Santidade o Papa, pedindo-lhe a imagem que tanto queriam, mas que não tinham dinheiro para comprar. O pedido das religiosas não foi atendido, porque na altura não podia ser.
As freiras ficaram muito tristes, porém, não desesperaram e continuaram a rezar com fé.
Estava-se numa época de pirataria nos mares dos Açores e aconteceu que, passando um navio ao largo da ilha, foi atacado e totalmente destruído por corsários.
Muitos destroços do navio vieram dar à costa e, um certo dia, depois das freiras tratarem do jardim, foram descansar a olhar para o mar. Viram, na água, uma caixa perto da costa que parecia ter uma luz lá dentro. Desceram a rampa a correr, puxaram o caixote, abriram-no e viram que era um lindo busto de Cristo, de olhar vivo, expressão humilde e serena.
Acharam que tinha sido um milagre porque Santo Cristo tinha escolhido aportar à ilha de São Miguel, cujo povo costumava ser muito crente. Quando o povo de Água de Pau tomou conhecimento do acontecimento, ficou muito feliz.
A fé dos habitantes da Vila cresceu, a fama dos milagres de Santo Cristo espalhou-se por toda a ilha. Desde então Santo Cristo passou a ser a esperança e o apoio de todos os micaelenses.
Durante anos, Santo Cristo foi venerado no Convento da Caloura, mas as freiras, que sofriam constantemente os ataques dos piratas, fugiram e foram refugiar-se em Ponta Delgada, no Convento da Esperança, levando consigo a imagem , onde ainda hoje se encontra.
Nos nossos dias a fé no Senhor Santo Cristo não se perdeu, está cada vez mais viva, como se pode ver nas festividades e principalmente na linda procissão que se faz em sua honra, no quarto Domingo de Maio.

Por : Faustino Gomes

 

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publicado às 18:31

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Se o Vale das Sete Cidades é um dos lugares mais belos e pitorescos da Ilha de S. Miguel, também é verdade que se diga que o mesmo passa por ser também, uma das regiões Açoreanas que mais lendas conta no seu ativo.

Embora sejam apenas duas as mais divulgadas, o certo é que se conhecem seis. São todas elas, lendas de criação literária, porque; vendo bem, o Povo mal as conhece.

Aqui vão elas:

I - Uma lenda muito simples, mas cheia de poesia , fala-nos do antigo reino das Sete cidades, cujos Reis possuíam uma filha muito linda. Essa princesa amava a vida campestre, motivo porque andava muito pelos campos, contemplando montes e vales, aldeias e costumes. Um belo dia encontrou um jovem pastor. Conversou demoradamente com ele e, dessa conversa nasceu o amor. Passaram, por esse motivo, a encontrar-se todos os dias, jurando amor e afeição mútua. Mas a Princesa tinha o destino marcado porque um Príncipe, herdeiro de outro reino, pretendia a sua mão. Havia, pois que suspender o devaneio com o pastor. Assim foi a Princesa proibida de se encontrar com ele, embora lhe consentissem uma despedida. Mas, ao encontrarem-se pela última vez, choraram ambos, tanto, tanto, que aos seus pés se formaram duas lagoas: - uma azul, feita das lágrimas derramadas dos olhos azuis da linda Princezinha; outra, verde, devido às lágrimas caídas dos olhos verdes do jovem pastor. Os dois namorados se separaram para todo o sempre, mas as lagoas feitas das lágrimas de ambos, essas jamais se separaram.

II - Outra lenda acerca da famosa região é a que nos fala de um reino da velha Atlântida, e que tinha como monarca o Rei Brancopardo e a Rainha Branca-Rosa. Ambos viviam no desgosto de não ter filhos. Uma bela noite, o Rei teve uma visão que lhe prometeu a vinda de uma filha muito linda, mas com a condição de só a verem quando completasse vinte anos. Até lá, a Princesa viveria em Sete Cidades, que o Rei, seu pai, mandaria construir. Brancopardo cumpriu o determinado:- mandou construir as cidades, enviou a princesa para as mesmas, sem a ter visto sequer - e aguardou que os vinte anos se completassem. Mas não pôde, coitado, chegar, ao fim de todo esse tempo. A ansiedade por ver a filha chegou ao ponto de lhe não caber no peito e, desafiando os deuses, caminhou para as Sete Cidades. Aí não o deixariam abrir os portões da muralha. E, no precioso momento em que ele os arrombava, um tremendo cataclismo vulcânico subverteu todo o reino. As Sete Cidades onde a princesa vivia ficavam precisamente onde hoje se abre a concha do maravilhoso vale. No fundo da Lagoa Verde ainda estarão os sapatinhos verdes que a princesa trazia nos pés, e, no fundo da Lagoa Azul, também estará o chapeuzinho azul que ela trazia na cabeça...

III - Quando Tarik e Musa invadiram a Península Ibérica, sete bispos Cristãos se teriam refugiado numa remota ilha - a Antília, ou Ilha das Sete Cidades. O desejo de alcançar essa ilha, tornar-se-ia, pouco depois, uma das maiores preocupações do Homem. Para o Oriente ficava o reino do Preste-João ; para o Ocidente, a Antília, até que um navio português - "Nossa Senhora da Penha de França" - depois de uma grande tempestade, aportou a ilha maravilhosa, onde esteve fundeado três dias. Dois frades teriam ido a terra, contactado com o Monarca, visitado palácios, deparado com tipos, costumes e linguagem muito semelhante aos dos portugueses. Ao fim dos três dias, mal os dois religiosos regressaram a bordo, a ilha desapareceu, como por encanto. Muitos anos mais tarde, o mesma ilha acabaria por revelar-se definitivamente aos portugueses.

Acaso ainda hoje, a visão deslumbrante do Vale das Sete Cidades não aparece e desaparece, como região sobre que pairam, na verdade, a luz e a névoa de um estranho mistério ?

IV - Eufémia era jovem e formosa, filha do Rei Atlas e neta de Júpiter. A sua alma era tão bela, como o seu corpo e o seu espírito andava sempre tão alto que não quis casar com nenhum dos dez filhos de Netuno, monarca de outros tantos reinos de Atlântida.

Mas Eufémia foi abrasada, já no outro mundo, pela Fé Cristã, pelo que desejou voltar à Terra, para espalhar o bem: E o seu desejo foi satisfeito.

Puseram numa ilha, chamada das Sete Cidades, onde a miséria e a dor desapareceram de todo. Decorridos tantos séculos, há quem acredite que a bela Eufémia habita ainda a ilha, transformada numa Solanácia, cujas folhas têm excelente aplicação medicinal. "Aquele que beber deste mágico filtro espiritual fica curado das suas mágoas, defendido dos seus infortúnios". Haverá, acaso, alguém que queira abalançar-se a desencantar a bela Eufémia, ainda agora transformada em erva bem-fazeja nos matos das Sete Cidades?

V - Genádio tivera uma mocidade de aventuras. Filho mimado e rico, possuía, além do mais, poderes especiais de migromante. Mas, certo dia, Genádio foi levado a mudar de vida. Fez-se padre e anacoreta, consagrando toda a sua existência ao Senhor. Tempos depois a fama das suas virtudes chegou ao conhecimento do Sumo Pontífice que o fez bispo, e mais tarde, arcebispo. Uma noite puseram-lhe uma criança recém-nascida junto da porta da Sé. Era uma linda menina, que logo foi recolhida. Rodeada de todos os carinhos, foi educada como princesa.

E chegou a altura das hostes de Mafamede invadirem a Península. E então que o arcebispo Genádio reúne os seus bispos, prepara uma frota e faz-se ao mar levando consigo a sua menina. Vão todos desembarcar numa ilha onde cada um dos referidos bispos funda sua cidade.

Entretanto a menina cresce. Cresce e sonha. Sonha e espera. As suas confidências pare com as aias chegam ao conhecimento do Arcebispo. Este, cioso da pureza da jovem, prepara-se para a defender de quem a possa pretender. E recorre as sues antigas práticas de malas-artes, conseguindo que a ilha se oculte a quem dela se aproximar. Mas uma certa manhã, eis que surge uma caravela rumando para a ilha e que traz desenhada nas velas a Cruz de Cristo.

Os sacerdotes oram nos túmulos. E quando a caravela já está perto da terra, Genádio recorre aos extremos do seu satânico poder. E a formosa ilha transforma-se em enorme vulcão cuja cratera é a própria região das Sete Cidades onde os bispos de Genádio haviam fundado as suas dioceses.

VI - A última lenda do ciclo das Sete Cidades é o romance da Ilha Encantada onde os marinheiros portugueses teriam aportado, aí deparando com cidades cheias de palácios sumtuosos. Os habitantes da terra, e os seus visitantes mutuamente se admiraram, mas eles temendo uma emboscada daqueles, depressa se fizeram ao mar, indo contar ao Infante tudo quanto haviam visto.

Tomados de grande entusiasmo, os portugueses organizam então uma grande armada e rumam de novo à ilha encantada. Mas quando aí chegam, nem cidades, nem palácios, nem habitantes. Só a ilha existia, formosa como sempre. No extremo ocidental, em vez das cidades, apenas um abismo enorme tendo ao fundo dois lindíssimos lagos.

Por : Faustino Gomes

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publicado às 18:20


GLOBALIZAÇÃO

por John Soares, em 15.03.21

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A Globalização é um processo de ausência ou diminuição de barreiras econômicas e imigratórias entre os países.
 
Está caracterizada pelo aprofundamento das relações econômicas, sociais, culturais e políticas entre os povos do mundo.Econômicas
A globalização se caracteriza pela união do mercado mundial através de blocos econômicos e a desaparição das fronteiras comerciais entre seus membros.
 
Com isso, se verifica o aumento da concorrência econômica e do nível de competição, com a consequente exploração da mão de obra.
 
No mundo globalizado, se valoriza a qualificação profissional, ao mesmo tempo em que se diminuem os direitos trabalhistas que empurram os trabalhadores para o mercado informal.
 
Políticas
Os fóruns e organismos internacionais se transformaram no palco privilegiado das decisões políticas e econômicas.
 
Por isso, os blocos econômicos tentam dar aos cidadãos participação política seja através de parlamentos a fim de que se construa um espaço de discussão.
 
Comunicações
A marca mais visível da globalização talvez seja no campo dos meios de comunicação.
 
A televisão e o telefone já cumpriam este objetivo, mas com o advento da Internet e dos celulares inteligentes, este papel foi ampliado. Por isso, vemos como a informação agora é instantânea e próxima, se estamos conectados a uma rede.Globalização no Brasil
Ao longo de sua história, o Brasil quase sempre foi um mercado fechado para produtos importados.
 
No entanto, após a ditadura militar de 1964 a 1985, o mercado nacional foi aberto e a globalização chegou ao País. Isto se deu através da implementação do Neoliberalismo com o Plano Collor, que promoveram a abertura do mercado nacional e as privatizações de empresas estatais.
 
Além disso, a expansão das indústrias e das empresas multinacionais foram essenciais para reforçar o processo de globalização no país.
 
Globalização econômica
Um fato notável da globalização é o acúmulo de conhecimentos. Isso provoca aumento no compasso das transformações nos meios de produção e tem como consequência o barateamento do método produtivo das indústrias.
 
Assim, desde os primórdios, notamos uma dispersão da cadeia de produção, através da qual os produtos são fabricados em vários países.
 
O objetivo principal é reduzir os custos pela exploração da mão de obra, matéria-prima e energia nos países em desenvolvimento.
 
Podemos também imaginar a globalização como um processo que visa constituir e aperfeiçoar uma rede de conexões.
 
O intuito é encurtar as distâncias, facilitando as afinidades culturais e econômicas, posto que estabelece a conexão entre os países e as pessoas de todo mundo.
 
Nesse sentido, as instituições financeiras (bancos, casas de câmbio) criaram um sistema eficaz para beneficiar a transferência de capital e comercializar ações em escala mundial.
 
Blocos econômicos
O aumento das relações econômicas entre os países gerou a necessidade de expandir seus mercados e garantir um lugar para seus produtos.
 
Assim, ocorreu a criação de blocos econômicos, cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros. Estas associações são feitas de acordo com a proximidade geográfica dos países e podemos citar como exemplo a União Europeia, o Mercosul, o USMCA (antigo Nafta), o Pacto Andino e a APEC.
 
Os blocos econômicos também tem a preocupação de garantir valores como a democracia, a extinção da pena de morte e atenção à infância.
 
Globalização cultural
Com a abertura de mercados, o consumidor (que passa a ser uma nova categoria de cidadão) tem acesso a produtos importados de qualidade a baixo custo.
 
Este processo contribui para o acesso aos meios de comunicação pelo barateamento das tecnologias e dos métodos de produção.
 
Um dos ícones da globalização é a Internet, a rede planetária que conecta computadores. Ela se tornou possível graças a pactos entre diferentes entidades públicas e privadas por todo mundo.
 
Deste modo, a língua inglesa torna-se fundamental na Internet, como uma forma rápida eficiente para se relacionar com pessoas de outros países.
 
No entanto, não deixa de ser uma forma de colonização cultural, pois outros idiomas e expressões culturais são deslocados ou sub-valorizados.Como principal ponto positivo da globalização temos os avanços tecnológicos que facilitam o fluxo de informação e de capitais mediante inovações nas áreas das Telecomunicações e da Informática.
 
A Globalização fez surgir a Geração Y, a primeira que está vivendo num mundo hiper conectado e com menos barreiras comerciais e culturais.
 
Como ponto negativo é preciso afirmar que a maior parcela do dinheiro fica entre os países mais desenvolvidos. Estes conseguem lucros astronômicos e cria uma brutal concentração da riqueza gerando uma relação desproporcional no mundo.
 
Origem da globalização
A origem da globalização remonta ao século XV durante o período mercantilista. Várias nações europeias lançaram-se ao mar em busca de novas terras e riquezas.
 
Posteriormente, no século XVIII, marcou-se por um incremento no fluxo de força de trabalho entre os países e continentes, especialmente nas novas colônias europeias na África e na Ásia.
 
O europeu entrou em contato com povos de outros continentes e estabeleceu relações comerciais e culturais em níveis sem precedentes.
 
No século XIX, com a invenção da eletricidade, das ferrovias e dos navios a vapor, as distâncias encurtaram e os produtos puderam chegar aos lugares mais remotos.
 
Globalização no século XX
Esse conjunto de transformações, de ordem política e econômica, intensificou-se, sobretudo, no final do século XX, com destaque para o período pós Segunda Guerra Mundial, mais conhecido como Guerra Fria.
 
Neste momento, os países se dividiam em aqueles que adotaram o capitalismo, apoiados pelos Estados Unidos e os que adotaram o socialismo, liderados pela União Soviética.Após o fim da União Soviética, porém, o mundo já não estava mais dividido por uma barreira ideológica. Os países que pertenceram ao bloco comunista iriam adotar o liberalismo, como forma de governo e o capitalismo como política econômica.
 
Os países adotam as medidas neoliberais que defendem a abertura dos mercados nacionais, fim das estatais, diminuição dos direitos trabalhistas, entre outras medidas. Desta forma, o neoliberalismo vai impulsionar o processo de globalização econômica pelos quatro cantos do mundo.


Autor desconhecido

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publicado às 15:40


PESTE NEGRA

por John Soares, em 15.03.21

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A peste negra é uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que desencadeou uma pandemia, isto é, uma proliferação generalizada, que ocorreu na segunda metade do século XIV, na Europa, matando um terço da população desse continente. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
 
Origem e propagação da peste negra
A peste negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
 
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste multiplicava-se. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, por meio de espirros e gotículas.Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
 
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da peste.Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da peste negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela, isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas.
 
Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a peste negra também é conhecida como peste bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.

Autor desconhecido
 

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publicado às 15:19

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