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Palácio Apostólico, a Capela Sistina

por John Soares, em 12.01.21

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Localizada no Palácio Apostólico, a Capela Sistina é conhecida por ser decorada com afrescos pintados por grandes artistas da Renascença. Entres os nomes que fizeram parte da história da Capela Sistina estão Sandro Botticelli, Michelangelo, entre outros. Sua arquitetura foi construída com base no Templo de Salomão do Antigo Testamento, o primeiro Templo em Jerusalém, construído no século XI a.C. Além de ser um lugar com grande índice de visitantes, é na Capela Sistina que se realiza o conclave, processo de escolha do novo Papa.

 

O nome Capela Sistina, grafado em italiano como Cappella Sistina, faz referência ao Papa Sisto IV que, entre os anos de 1477 e 1480, foi responsável pela restauração da Capela Magna, capela medieval demolida da qual foram utilizados os alicerces para a construção da Capela Sistina.
Durante a fase em que a Capela Sistina estava em construção, um grupo de artistas que incluía Domenico Ghirlandaio, Pietro Perugino e Sandro Botticelli, deu início à criação de diversos afrescos que retratavam episódios religiosos como a vida e ancestralidade de Jesus, vida de Moisés e retratos papais. A conclusão destes trabalhos ocorreu em 1482 e, um ano depois, o Papa Sisto IV consagrava a Capela Sistina com a primeira missa, feita em honra à Nossa Senhora da Assunção, denominação dada a Maria, mãe de Jesus.
Um dos atributos mais notáveis da Capela Sistina é o seu teto, que foi pintado por Michelangelo. O artista demorou quatro anos para terminar este trabalho, que é um dos mais importantes da História da Arte. Apesar disso, Michelangelo teve grande dificuldade para a realização da obra, trabalhava em cima de um andaime de 16 metros de altura, deitado e pintando sobre sua cabeça. Isso fazia com que a tinta pingasse em seu rosto o dia todo, durante à tarde, sentia cãibras e mal conseguia ler as cartas que seus familiares enviavam-lhe.Além da contribuição de Michelangelo para o teto da Capela Sistina, outros artistas também completaram a decoração do local. Na parede esquerda, a partir do altar, são encontradas pinturas que retratam cenas do Velho Testamento.
Entre elas, estão “Moisés a caminho do Egito e a circuncisão de seus filhos”, de Pinturicchio, “Cenas da Vida de Moisés” e “A Punição de Korah, Natan e Abiram”, obras de Botticelli, “Passagem do Mar Vermelho” e “Moisés no Monte Sinai e a Adoração do Bezerro de Ouro”, ambas de Cosimo Rosselli e “A Morte de Moisés”, feita por Lucas Signorelli.
Na parte direita estão obras que simbolizam o Novo Testamento: “O Batismo de Jesus”, criado por Pinturicchio, “Tentação de Cristo e a Purificação do Leproso”, por Botticelli, “Vocação dos Apóstolos”, de Ghirlandaio, “Sermão da Montanha” e “A Última Ceia”, obras de Rosselli e “A Entrega das Chaves a São Pedro”, de Perugino.
 
E. Históricos

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publicado às 13:50


Michelangelo

por John Soares, em 12.01.21

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O começo do século XVI, foi o mais rico período da arte italiana e que influencia a arte até os dias atuais. Esse período chamado de Renascimento surgiu na Itália e destacou nomes como: Leonardo da Vinci, Rafael, Ticiano, Michelangelo e tantos outros gênios dessa época.

 

Juntamente com Leonardo da Vinci, Michelangelo di Lodovico Buonarroti foi um dos artistas mais brilhantes desse período, ganhando fama por toda a Itália como pintor e escultor, ao longo dos seus 88 anos de vida.Nascido em 06 de março de 1475, em Caprese, região da Toscana, Itália, Michelangelo quase chegou a trilhar outro caminho se dependesse dos esforços de seu pai Lodovido di Leonardo Buonarroti que o matriculou aos sete anos de idade em uma escola de gramática em Florença. Três anos mais tarde, o pai admitiu a inclinação do filho para o desenho e a pintura.
Ainda jovem, Michelangelo foi matriculado na oficina de um dos principais mestres de Florença, Domenico Ghilandaio. Em sua oficina Michelangelo teve a oportunidade de ter uma sólida base para o desenho, a pintura, o afresco e a escultura. Anos mais tarde, foi encaminhado para a escola de Lorenzo de Médici, onde recebeu influências artísticas de vários pintores, escultores e intelectuais da época e permaneceu até a morte de Lorenzo de Médici, dois anos mais tarde. Voltando a casa de seu pai, Michelangelo concentrou-se nos estudos sobre anatomia humana dissecando cadáveres e desenhando a partir de modelos. Logo, ele dominou todos os segredos da figura humana, dando vida a corpos humanos através do desenho, o que pode ser observado por meio de suas pinturas e esculturas magníficas como a pintura do teto da Capela Sistina e esculturas como Pietá e Davi.
No ano de 1503, o artista recebeu o convite do papa Julio II para fazer o túmulo papal em Roma. Michelangelo deixou esta obra inacabada em função dos vários outros convites que recebera nesse período, entre eles a pintura do teto da Capela Sistina.
Após o aceite para pintar o teto e abóbada da capela, Michelangelo debruçou-se num projeto espetacular. Apurado conhecedor da figura humana, o artista estudou minuciosamente cada detalhe das imagens que compunham seu projeto. Durante quatro anos entre 1508 a 1512 o artista trabalhou sem nenhuma ajuda sobre os andaimes da Capela Sistina. Michelangelo tinha que deitar-se de costas e pintar olhando para cima para concluir o glorioso afresco da capela.
Outra obra monumental de Michelangelo foi a escultura de David, esculpida em um bloco único de mármore e que retrata o herói instantes antes de derrubar o gigante Golias com uma pedra. O artista costumava dizer que a figura já estava no mármore, bastava descobri-la.
Morreu com 89 anos em 18 de fevereiro de 1564 na cidade de Roma.
 
E. Históricos

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publicado às 13:18


Burguesia

por John Soares, em 11.01.21

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O termo “burguesia” designa a classe social dominante do sistema capitalista e está formada por proprietários de bens ou capitais.

 

A burguesia surge no fim da Idade Média, com a expansão do comércio e das cidades medievais.
A palavra tem origem em “burgos”, que significava “fortaleza” ou “pequenas cidades”.
O conceito de burguesia foi mudando com o tempo: na Idade Média eram os comerciantes; e durante a Revolução Industrial, os banqueiros e empresários.
Surgimento da burguesia
No final da Idade Média, a Europa passava por modificações nos campos político, econômico, social e cultural.
Nesse período aconteceu o declínio do sistema feudal e a quantidade de terra deixou de ser um sinal de riqueza. A partir de agora, seria a quantidade de dinheiro que faria uma pessoa ser considerada rica.
Ao mesmo tempo, a política mudava. Os senhores feudais deixam de ter poder e este passa ao rei (absolutismo), no processo de formação das monarquias nacionais. Até a religião sofre mudanças com a eclosão da reforma protestante.
Neste novo período, surge um grupo de pessoas que se dedicarão, especialmente, ao comércio e às transações comerciais. O local de trabalho serão as cidades, chamadas de burgos e, por isso, quem vive ali será conhecido como “burguês”.
O burguês defendia valores que eram estranhos à sociedade medieval como a liberdade pessoal, livre comércio, direitos religiosos e civis.
Ao mesmo tempo, a Europa vive o chamado “Renascimento Comercial” através das Cruzadas, e da expansão ultramarina dos séculos XV e XVI.
Tudo isso possibilitou ampliar as relações comerciais, bem como desenvolver o comércio interno das cidades impulsionado pelas feiras.
De tal modo, o crescimento das cidades foi um fator importante para a formação da burguesia. Os burgueses se reuniam nas “Guildas” ou “Corporações de Oficio” que consistiam nas associações de profissionais que defendiam o interesse dos seus membros.
A partir do fortalecimento do comércio, a nobreza, antiga detentora do poder, vai perdendo espaço para a burguesia. Os servos, que antes trabalhavam para a nobreza e o clero, vislumbraram no comércio ascensão social, econômica e política.
Assim, a classe burguesa se consolida e começa a exigir espaço na política. Isto se dá através de várias revoluções, nas quais podemos destacar a Revolução Francesa, em 1789 e a Revolução Industrial, que ocorre nos séculos XVIII e XIX.
Burguesia e proletariado
Na teoria marxista, desenvolvida pelos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), a burguesia e o proletariado representam duas classes sociais com interesses contrários.A burguesia é a classe dominante do sistema capitalista, pois detém o poder e os meios de produção. Já o proletariado representa a classe dominada, pois o único que lhe resta é vender sua força de trabalho à burguesia.
Desta maneira, burgueses e proletariados estariam sempre em luta e seria isso que provocaria as mudanças na sociedade.O termo “Burguesia Mercantil” designa aqueles que adotaram as ideias mercantilistas ou seja: acúmulo de capital, balança favorável e metalismo. essas ideias.
Este grupo surge a partir do século XV, na Europa, e foi uma das consequências do Renascimento Comercial, Cultural e Urbano.
O sistema feudal foi decaindo, seja pelo aumento da população, pelas novas tecnologias e pela busca de produtos orientais. Sendo assim, aos poucos, o sistema feudal foi substituído por um capitalismo primitivo, o mercantilismo.
Os burgueses buscavam o enriquecimento e a mobilidade social, algo que era impossível dentro da sociedade feudal, onde o nascimento determinava o lugar de cada um.A Burguesia Industrial, como o próprio nome indica, representa uma das classes sociais surgidas com a Revolução Industrial no século XVIII.
Esse grupo foi muito importante nesse período, pois foi a burguesia que possibilitou o emprego de máquinas para aumentar a produção. Isso aconteceu na medida em que investiram na compra de máquinas e matérias primas, bem como na contratação dos empregados.
No entanto, o lucro obtido pelas primeiras indústrias foram conseguidos graças a exploração dos operários em longas jornadas de trabalho.
 
E. Históricos

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publicado às 00:01


Materialismo Histórico

por John Soares, em 10.01.21

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O materialismo histórico é uma teoria que faz parte do socialismo marxista.
Essa corrente teórica estuda a história por meio da relação entre a acumulação material e as forças produtivas.
Para os materialistas históricos, a sociedade foi se desenvolvendo através da produção de bens que satisfazem as necessidades básicas e supérfluas do ser humano.
Origem do Materialismo Histórico
O materialismo histórico foi criado pelos filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895).
Durante a Revolução Industrial houve crescimento dos centros urbanos nos países europeus. A desigualdade entre as classes sociais se tornou notória e isso teve forte impacto na vida social, política e espiritual desse período.
Desta maneira, surgiram várias correntes de pensamento que buscavam explicar a origem das diferenças sociais. Uma dessas teorias era o materialismo histórico.O materialismo histórico buscou compreender as relações entre o trabalho e a produção de bens ao longo da história.
Essa concepção materialista da história percebeu que os meios de produção são determinantes para caracterizar as sociedades.Para Marx e Engels, as mudanças sociais que ocorrem na sociedade são fruto dessa conquista material, que por sua vez, determina a situação econômica dos indivíduos.
Segundo o materialismo histórico, as relações de produção são fundamentais para delinear as relações entre as classes sociais que formam a sociedade. Para Marx, é o capitalismo produz a luta de classes entre a burguesia (dominantes) e o proletariado (dominados).
Em sua obra “O Capital”, Karl Marx avalia a sociedade capitalista e as diversas realidades sociais que nela estão inseridas e faz uma análise crítica sobre o sistema capitalista.Para entender o conceito é preciso recordar como Marx e Engels caracterizaram a sociedade.
A classe burguesa é formada pelos detentores dos meios de produção. Já a classe proletária, recebe um salário por sua força de trabalho.
Por isso, o proletariado tem que vender a sua mão de obra para os burgueses. Estes, segundo o marxismo histórico, sempre vão querer conservar o poder e obter mais lucro. Por isso vão explorar o máximo possível os empregados, seja pagando baixos salários ou oferecendo péssimas condições de trabalho.Insatisfeitos, o proletariado se revolta e luta contra os burgueses. Somente após muitos conflitos, a classe dominante aceita introduzir mudanças que possam melhorar a vida da classe trabalhadora.
Por isso, de acordo com os estudos de Marx e Friedrich Engels, o que move a história de uma sociedade é a luta entre as classes sociais.
Como toda teoria sociológica e histórica, o materialismo histórico sofreu críticas por outros pensadores. Destacaremos apenas três delas.
A primeira delas diz respeito à validade atemporal a que se pretende esta teoria. Será que podemos entender as relações de produção do Egito Antigo com os mesmos critérios usados para compreender uma sociedade industrial?
A segunda reprovação afirma que as classes sociais não são homogêneas e também lutam entre si. Nem sempre a política econômica de um governo beneficia um latifundiário e um grande industrial. Há leis trabalhistas que são aplicadas somente para operários urbanos e não para os camponeses.
Finalmente, o materialismo histórico só leva em conta a economia e não as motivações religiosas, ideológicas e militares para o desenvolvimento da sociedade, como fará o sociólogo Max Weber, por exemplo.
Materialismo Dialético
O materialismo dialético é outra vertente apresentada por Marx, onde ele usa a dialética para explicar as mudanças sociais.A partir desse viés, as mudanças surgem pelo embate entre as forças sociais. Elas são um reflexo da matéria em sua relação dialética com as dimensões psicológica e social, as quais, por sua vez, constituem as forças produtivas e as relações de produção.
 
E. Históricos

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publicado às 23:53


Revolução Industrial

por John Soares, em 10.01.21

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A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII e que se espalhou pelo mundo causando grandes transformações. A Revolução Industrial garantiu o surgimento da indústria e consolidou o processo de formação do capitalismo.
O nascimento da indústria causou grandes transformações na economia mundial, assim como no estilo de vida da humanidade, uma vez que acelerou a produção de mercadorias e a exploração dos recursos da natureza. Além disso, a Revolução Industrial foi responsável por grandes transformações no processo produtivo e nas relações de trabalho.
A Revolução Industrial foi iniciada de maneira pioneira na Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII, e atribui-se esse pioneirismo à Inglaterra pelo fato de que foi lá que surgiu a primeira máquina a vapor, em 1698, construída por Thomas Newcomen e aperfeiçoada por James Watt, em 1765. O historiador Eric Hobsbawm, inclusive, acredita que a Revolução Industrial só foi iniciada de fato na década de 1780|1|.
O avanço tecnológico característico da Revolução Industrial permitiu um grande desenvolvimento de maquinário voltado para a produção têxtil, isto é, de roupas. Com isso, uma série de máquinas, como a “spinning Jenny”, “spinning frame”, “water frame” e a “spinning mule”, foram criadas para tecer fios. Com essas máquinas, era possível tecer uma quantidade de fios que manualmente seria necessária a utilização de várias pessoas.
Posteriormente, no começo do século XIX, o desenvolvimento tecnológico foi utilizado na criação da locomotiva e das estradas de ferro que, a partir da década de 1830, foram construídas por toda a Inglaterra. A construção das estradas de ferro contribuiu para ampliar o crescimento industrial, uma vez que diminuiu as distâncias ao tornar as viagens mais curtas e ampliou a capacidade de locomoção de mercadorias.
O desenvolvimento das estradas de ferro foi algo que aproveitou da prosperidade da indústria inglesa, uma vez que os financiadores de sua construção foram exatamente os capitalistas que prosperaram na Revolução Industrial. Isso porque a indústria inglesa não conseguia absorver todo o excedente de capital, fazendo com que os investimentos nas estradas de ferro acontecessem.
A Revolução Industrial também gerou grandes transformações no modo de produção de mercadorias. Antes do surgimento da indústria, a produção acontecia pelo modo de produção manufatureiro, isto é, um modo de produção manual que utilizava a capacidade artesanal daquele que produzia. Assim, a manufatura foi substituída pela maquinofatura.
Com a maquinofatura não era mais necessária a utilização de vários trabalhadores especializados para produzir uma mercadoria, pois uma pessoa manuseando as máquinas conseguiria fazer todo o processo sozinha. Com isso, o salário do trabalhador despencou, uma vez que não eram mais necessários funcionários com habilidades manuais.
Isso é evidenciado pela estatística trazida por Eric Hobsbawm que mostra como o salário do trabalhador inglês caiu com o surgimento da indústria. O exemplo levantado foi Bolton, cidade no oeste da Inglaterra. Lá, em 1795, um artesão ganhava 33 shillings, mas em 1815, o valor pago havia caído para 14 shillings e, entre 1829 e 1834, esse salário havia despencado para quase 6 shillings|2|. Percebemos aqui uma queda brusca no salário e esse processo deu-se em toda a Inglaterra.
Além do baixo salário, os trabalhadores eram obrigados a lidar com uma carga de trabalho extenuante. Nas indústrias inglesas do período da Revolução Industrial, a jornada diária de trabalho costumava ser de até 16 horas com apenas 30 minutos de pausa para o almoço. Os trabalhadores que não aguentassem a jornada eram sumariamente substituídos por outros.
Não havia nenhum tipo de segurança para os trabalhadores e constantemente acidentes aconteciam. O acidente mais comum era quando os trabalhadores tinham seus dedos presos na máquina e muitos os perdiam. Os trabalhadores que se afastavam por problemas de saúde poderiam ser demitidos e não recebiam seu salário. Só eram pagos os funcionários que trabalhavam efetivamente.
Essa situação degradante fez com que os trabalhadores mobilizassem-se pouco a pouco contra seus patrões. Isso levou à criação das organizações de trabalhadores (mais conhecidas no Brasil como sindicatos) e chamadas na Inglaterra de trade union. Os trabalhadores exigiam melhorias salariais e redução na jornada de trabalho.Dois grandes movimentos de trabalhadores surgiram dessas organizações foram o ludismo e o cartismo. O ludismo teve atuação destacada no período entre 1811 e1816 e sua estratégia consistia em invadir as fábricas e destruir as máquinas. Isso acontecia porque os adeptos do ludismo afirmavam que as máquinas estavam roubando os empregos dos homens e, portanto, deveriam ser destruídas.
O movimento cartista, por sua vez, surgiu na década de 1830 e lutava por direitos trabalhistas e políticos para a classe de trabalhadores da Inglaterra. Uma das principais exigências dos cartistas era o sufrágio universal masculino, isto é, o direito de que todos os homens pudessem votar. Os cartistas também exigiam que sua classe tivesse representatividade no Parlamento inglês.
A mobilização de trabalhadores resultou em algumas melhorias ao longo do século XIX. A pressão exercida pelos trabalhadores dava-se, principalmente, por meio de greve. Uma das melhorias mais sensíveis conquistadas pelos trabalhadores foi a redução da jornada de trabalho para 10 horas diárias, por exemplo.
A mobilização de trabalhadores enquanto classe, isto é, pobres (proletários), não foi um fenômeno que surgiu especificamente por causa da Revolução Industrial. Nas palavras de Eric Hobsbawm, o enfrentamento dos patrões pelos trabalhadores aconteceu, porque a Revolução Francesa deu-lhes confiança para isso, enquanto que “a Revolução Industrial trouxe a necessidade de mobilização permanente”|3|.
Por que a Revolução Industrial aconteceu primeiro na Inglaterra?
A Revolução Industrial despontou pioneiramente, na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra e gradativamente foi espalhando-se pela Europa e, em seguida para todo o mundo. Mas por que necessariamente isso ocorreu na Inglaterra? A resposta para isso é encontrada um pouco no acaso e um pouco na própria história inglesa.
Primeiramente, é importante estabelecer que o desenvolvimento tecnológico e industrial na Inglaterra foi possível, porque a burguesia estabeleceu-se como classe e garantiu o desenvolvimento da economia inglesa na direção do capitalismo. Isso aconteceu no século XVII, com a Revolução Gloriosa.
A Revolução Gloriosa aconteceu em 1688 e consolidou o fim da monarquia absolutista na Inglaterra (que já vinha enfraquecida desde a Revolução Puritana na década de 1640). Com isso, a Inglaterra transformou-se em uma monarquia constitucional parlamentarista, na qual o poder do rei não estava acima do Parlamento e nem da Constituição, no caso da Inglaterra da Declaração de Direitos – Bill of Rights.
Assim, a burguesia conseguiu consolidar-se enquanto classe e governar de maneira a atender aos seus interesses econômicos. Um acontecimento fundamental para o desenvolvimento do comércio inglês deu-se no meio das duas revoluções do século XVII, citadas acima. Em 1651, Oliver Cromwell decretou os Atos de Navegação, lei que decretava que mercadorias compradas ou vendidas pela Inglaterra somente seriam transportadas por embarcações inglesas.
Essa lei foi fundamental, pois protegeu o comércio, enfraqueceu a concorrência dos ingleses e garantiu que os navios ingleses controlassem as rotas comerciais marítimas. Isso enriqueceu a burguesia inglesa e permitiu-lhes acumular capital. Esse capital foi utilizado no desenvolvimento de máquinas e na instalação das indústrias.
Mas não bastava somente excedente de capital para garantir o desenvolvimento industrial. Eram necessários trabalhadores, e a Inglaterra do século XVIII tinha mão de obra excedente. Isso está relacionado com os cercamentos que aconteciam na Inglaterra e que se intensificaram a partir do século XVII.
Os cercamentos aconteciam por força da Lei dos Cercamentos (Enclosure Acts), lei inglesa que permitia que as terras comuns fossem cercadas e transformadas em pasto. As terras comuns eram parte do sistema feudal que estipulava determinadas áreas para serem ocupadas e cultivadas pelos camponeses.
Com os cercamentos, os camponeses que habitavam essas terras foram expulsos e as terras foram transformadas em pasto para a criação de ovelhas. A criação de ovelhas era o que fornecia a lã utilizada em larga escala na produção têxtil do país. Os camponeses expulsos de suas terras e sem ter para onde ir mudaram-se para as grandes cidades.
Sem nenhum tipo de qualificação, esses camponeses viram-se obrigados a trabalhar nos únicos locais que forneciam empregos – as indústrias. Assim, as indústrias que se desenvolviam na Inglaterra tinham mão de obra excedente. Isso garantia aos patrões poder de barganha, pois poderiam forçar os trabalhadores a aceitarem salários de fome por uma jornada diária exaustiva.
A adesão dos trabalhadores às indústrias ocorreu de maneira massiva também por uma lei inglesa que proibia as pessoas de “vadiagem”. Assim, pessoas que foram pegas vagando pelas ruas sem emprego poderiam ser punidas com castigos físicos e até mesmo com a morte, caso fossem reincidentes.
Por último, destaca-se que o acaso e o fortuito também contribuíram para que a Inglaterra despontasse pioneiramente. O desenvolvimento das máquinas e das indústrias apenas ocorreu, porque a Inglaterra tinha grandes reservas dos dois materiais essenciais para isso: o carvão e o ferro. Com reservas de carvão e ferro abundantes, a Inglaterra pôde desenvolver sua indústria desenfreadamente.A Revolução Industrial corresponde às modificações econômicas e tecnológicas que consolidaram o sistema capitalista e permitiram o surgimento de novas formas de organização da sociedade. As transformações tecnológicas, econômicas e sociais vividas na Europa Ocidental, inicialmente limitadas à Inglaterra, em meados do século XVIII, tiveram diversos desdobramentos, os quais podemos chamar de fases. Essas fases correspondem ao processo evolutivo das tecnologias desenvolvidas e as consequentes mudanças socioeconômicas.
A Primeira Revolução Industrial refere-se ao processo de evolução tecnológica vivido a partir do século XVIII na Europa Ocidental, entre 1760 e 1850, estabelecendo uma nova relação entre a sociedade e o meio, bem como possibilitou a existência de novas formas de produção que transformaram o setor industrial, dando início a um novo padrão de consumo.
Essa fase é marcada especialmente pela substituição da energia produzida pelo homem por energias como a vapor, eólica e hidráulica; a substituição da produção artesanal (manufatura) pela indústria (maquinofatura) e também pela existência de novas relações de trabalho.
As principais invenções dessa fase que modificaram todo o cenário vivido na época foram: a utilização do carvão como fonte de energia; o consequente desenvolvimento da máquina a vapor e da locomotiva. Nessa fase foi, também, desenvolvido o telégrafo, um dos primeiros meios de comunicação quase instantânea.
A produção modificou-se, diminuindo o tempo e aumentando a produtividade; as invenções possibilitaram o melhor escoamento de matérias-primas, bem como de consumidores e também favoreceram a distribuição dos bens produzidos.A Segunda Revolução Industrial refere-se ao período entre a segunda metade do século XIX até meados do século XX, tendo seu fim durante a Segunda Guerra Mundial. A industrialização avançou os limites geográficos da Europa Ocidental, espalhando-se por países como Estados Unidos, Japão e demais países da Europa.
Compreende à fase de avanços tecnológicos ainda maiores que os vivenciados na primeira fase, bem como o aperfeiçoamento de tecnologias já existentes. O mundo pôde vivenciar diversas novas criações que aumentaram ainda mais a produtividade e consequentemente aumentaram os lucros das indústrias. Houve nesse período, também, grande incentivo às pesquisas, especialmente no campo da medicina.
As principais invenções dessa fase estão associadas ao uso do petróleo como fonte de energia, utilizado na nova invenção, o motor à combustão. A eletricidade que antes era utilizada apenas para desenvolvimento de pesquisas em laboratórios, nesse período, começa a ser usada para o funcionamento de motores, com destaque para os motores elétricos e à explosão. O ferro que antes era largamente utilizado, passou a ser substituído pelo aço.A Terceira Revolução Industrial também conhecida como Revolução Tecnocientífica, iniciou-se na metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial. Essa fase representa uma revolução não só no setor industrial, visto que passou a relacionar não só o desenvolvimento tecnológico voltado ao processo produtivo, mas também ao avanço científico, deixando de limitar-se a apenas alguns países e espalhando-se por todo o mundo.
As transformações possibilitadas pelos avanços tecnocientíficos são vivenciadas até os dias atuais, sendo que cada nova descoberta representa um novo patamar alcançado dentro dessa fase da revolução, consolidando o que ficou conhecido como Capitalismo Financeiro. A introdução da biotecnologia, robótica, avanços na área da genética, telecomunicações, eletrônica, transporte, entre outras áreas, transformaram não só a produção, como também as relações sociais, o modo de vida da sociedade e o espaço geográfico.
Todo esse desenvolvimento proporcionado pelos avanços obtidas nas diversas áreas científicas relacionam-se ao que chamamos de globalização: tudo converge para a diminuição do tempo e das distâncias, ligando pessoas, lugares, transmitindo informações instantaneamente, superando, então, os desafios e obstáculos que permeiam a localização geográfica, as diferenças culturais, físicas e sociais.
Consequências
De um modo geral, a Revolução Industrial transformou não só o setor econômico e industrial, como também as relações sociais, as relações entre o homem e a natureza, provocando alterações no modo de vida das pessoas, nos padrões de consumo e no meio ambiente. Cada fase da revolução representou diferentes transformações e consequências mediante os avanços obtidos em cada período.
A Primeira Revolução Industrial representou uma nova organização no modo capitalista. Nesse período houve um aumento significativo de indústrias bem como o aumento significativo da produtividade (produção em menor tempo). O homem ao ser substituído pela máquina, saiu da zona rural para ir para as cidades em busca de novas oportunidades, dando início ao processo de urbanização.
Esse processo culminou no crescimento desenfreado das cidades, na marginalização de boa parte da população, bem como em problemas de ordem social como miséria, violência, fome. Nessa fase, também, a sociedade organizou-se em dois polos: de um lado a burguesia e do outro o proletariado.
Leia também: Relação entre urbanização e industriailização
A Segunda Revolução Industrial teve como principais consequências, mediante o maior avanço tecnológico, o aumento da produção em massa em bem menos tempo, consequentemente o aumento do comércio e modificação nos padrões de consumo; muitos países passaram a se industrializar, especialmente os mais ricos, dominando, então, economicamente diversos outros países (expansão territorial e exploração de matéria-prima).
O avanço nos transportes possibilitou maior e melhor escoamento de mercadorias e trânsito de pessoas; surgiram as grandes cidades e com elas também os problemas como superpopulação; aumento das doenças; desemprego e aumento da mão de obra barata e novas relações de trabalho.
A Terceira Revolução Industrial e nova integração entre ciência, tecnologia e produção, possibilitou avanços na medicina; a invenção de robôs capazes de fazer trabalho extremamente minucioso e preciso; houve avanços na área da genética, trazendo novas técnicas que melhoraram a qualidade de vida das pessoas; possibilitou diminuir as distâncias entre os povos e a maior difusão de notícias e informações por meio de novos meios de comunicação; o capitalismo financeiro consolidou-se e houve aumento do número de empresas multinacionais.
E não menos importante, todas essas transformações possibilitadas pela Revolução Industrial como um todo, transformou o modo como o homem relaciona-se com o meio. A apropriação dos recursos naturais para viabilizar as produções e os avanços tecnocientíficos têm causado grande impacto ambiental.
Atualmente, as alterações provocadas no meio ambiente têm sido amplamente discutidas pelas comunidades internacionais, órgãos e entidades, que expressam a importância de mudar o modelo de desenvolvimento econômico que explora os recursos naturais sem pensar nas gerações futuras.
 
E. Históricos

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publicado às 23:40


Revolução Inglesa

por John Soares, em 10.01.21

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A Revolução Inglesa, ocorrida no século XVII, foi um dos principais acontecimentos da Idade Moderna. Foi considerada a primeira das grandes revoluções burguesas, isto é, as revoluções encabeçadas por lideranças da burguesia europeia, que havia se tornado expressivamente forte, do ponto de vista econômico, ao longo dos séculos XVI e XVII, e que precisava alcançar legitimidade política.

Com o processo da revolução, a burguesia da Inglaterra, por meio de uma guerra civil e da atuação do Parlamento, conseguiu combater o Estado absolutista desse país e reformular a estrutura política, que culminaria na modelo da Monarquia Parlamentarista em 1688.Durante grande parte do século XVI, a burguesia inglesa esteve bem articulada com os nobres e os reis pertencentes à dinastia Tudor (Henrique VIII e sua filha Elizabeth), que consolidaram a Reforma Anglicana. A reforma religiosa de Henrique VIII proporcionou grandes benefícios financeiros tanto para nobres quanto para burgueses da Inglaterra. Isso porque teve início o processo de conversão das antigas terras feudais, de domínio da Igreja Católica, em propriedades privadas, o que possibilitou a formação dos cercamentos e dos arrendamentos que foram vendidos aos burgueses que pretendiam explorar minas de carvão ou praticar alguma atividade agrícola.
Além disso, a ruptura com a Igreja Católica (que não era apenas uma instituição com poder espiritual, mas detentora de um poder político continental, ao qual boa parte das Coroas europeias estava ligada) dispensou a Inglaterra de pagar tributos para Roma, bem como colocou a marinha inglesa em flagrante rivalidade com os navios dos países católicos, sobretudo com os espanhóis. Muitos piratas ingleses, conhecidos como “lobos do mar”, atacavam navios espanhóis e levavam sua mercadoria (na maior parte das vezes, metais preciosos) para Inglaterra, o que contribuía para o aquecimento do mercado interno do país.
Como se vê, as principais ações políticas dos Tudor acabaram proporcionando uma grande ascensão da burguesia, de modo que no fim do século, na década de 1590, os burgueses já tinham grande força representativa na chamada Câmara dos Comuns (uma das câmaras do Parlamento Inglês, que tinha como oposição a Câmara dos Lordes, isto é, dos nobres apoiadores da Coroa). O problema é que essa força adquirida pela burguesia estava associada ao puritanismo (o calvinismo inglês), que era a religião que mais atraía a burguesia e que dava suporte ideológico para o radicalismo político antiabsolutista.Somou-se a isso o fato de que os nobres e a Coroa viam-se ameaçados pela capacidade da burguesia puritana de acumular riquezas. Enquanto a renda da burguesia era oriunda do trabalho e de investimentos financeiros, a renda dos nobres advinha de privilégios hereditários, da cobrança de impostos e da formação de monopólios estatais ao modo mercantilista. Os monarcas que sucederam os Tudor, isto é, os Stuart, perceberam que, se não freassem a burguesia no campo político, a estrutura monárquica estaria fadada à ruína.
O primeiro monarca da dinastia Stuart foi Jaime I, que governou de 1603 a 1625. Para tentar adequar a Coroa à nova realidade financeira da Inglaterra e controlar a ascensão da burguesia, Jaime I passou a tomar duas medidas principais: 1) aumento de impostos e estabelecimento de empréstimos forçados; e 2) a formação de monopólios estatais como forma de participação nos rendimentos dos negócios burgueses. Além disso, Jaime deflagrou uma perseguição religiosa aos puritanos. Confrontado pela Câmara dos Comuns, dissolveu o Parlamento, que ficou inativo de 1614 a 1622.
Com a ascensão de Carlos I, filho de Jaime, ao trono, em 1625, houve uma nova tentativa de acordo entre a Coroa e o Parlamento para que houvesse um novo aumento de impostos. A Câmara dos Lordes ficou a favor do rei, mas a Câmara dos Comuns novamente o confrontou. O rei decidiu então dissolver novamente o Parlamento, que ficou inativo até 1640. Em 1640, Carlos I entrou em um novo conflito contra a Escócia e precisou novamente do tributo dos burgueses para bancar a guerra, convocando, assim, mais uma vez, o Parlamento. Novamente a Câmara dos Comuns recusou-se a ajudá-lo. Mas ao contrário do que ocorrera antes, os burgueses puritanos prepararam-se para um enfrentamento total contra o rei e a nobreza.
Um líder radical puritano chamado Oliver Cromwell organizou um exército burguês conhecido como exército dos “Cabeças redondas” por se recusarem a usar as perucas dos nobres. Esse exército deflagrou guerra contra a Coroa, que foi defendida pelos “Cavaleiros”, isto é, o exército tradicional da nobreza. Teve assim início a Revolução Puritana, ou Guerra Civil Inglesa.A guerra civil entre a burguesia puritana e a Coroa ficou mais intensa quando, em 1642, Oliver Cromwell convocou a base da pequena burguesia e de camponeses para formar o Novo Exército Modelo (New Model Army).
Nessa base, destacaram-se os Diggers e Levellers, que se caracterizaram por sua radicalidade política em assuntos como reforma agrária (Diggers) e igualdade de diretos entre todos os cidadãos (Levellers). Com o Novo Exército Modelo, Cromwell conseguiu esmagar as forças da Coroa. Em 1649, a ala radical burguesa exigiu a decapitação de Carlos I, que ocorreu no dia 31 de janeiro. Para saber mais sobre esse momento de disputas políticas, leia: Guerra Civil Inglesa.
“República” de Oliver Cromwell (1649-1658)
Em 19 de maio de 1649 foi proclamada a República, e Cromwell recebeu do Parlamento o título de Lord Protector (Lorde Protetor da República). Muitas transformações políticas operadas por Cromwell beneficiaram a burguesia que foi por ele liderada na Guerra Civil. Uma dessas transformações foi possibilitada pelos chamados Atos de Navegação, aprovados em 1650, que restringiam o transporte de produtos ingleses apenas aos navios da própria Inglaterra.
No entanto, a exemplo dos monarcas autoritários que havia combatido, Cromwell acabou por se voltar contra o Parlamento. Em 1653, ele o dissolveu com o auxílio do Exército burguês e instituiu uma ditadura aberta, que teve como característica principal a execução das lideranças que o ajudaram a formar esse mesmo Exército, isto é, os Diggers e Levellers, como diz o historiador Christopher Hill, em sua obra A Revolução Puritana de 1640:
“A história da revolução inglesa de 1649 a 1660 pode ser contada em poucas palavras. O fuzilamento por Cromwell dos Levellers, em Burford, tornou absolutamente inevitável a restauração da monarquia e dos senhores, pois a ruptura entre a grande burguesia e a pequena nobreza, por um lado, e as forças populares, por outro, significava que o seu governo só poderia ser mantido por um exército (o que, a longo prazo, provou ser extraordinariamente dispendioso e de difícil controle) ou por um compromisso com os representantes da velha ordem que restavam.”|1|
Um tempo mais tarde, em 1657, Cromwell propôs um novo acordo com os parlamentares e reabilitou o Parlamento inglês. Todavia, antes que esse acordo pudesse vigorar, Cromwell faleceu (1658). Em seu lugar, assumiu seu filho, Richard Cromwell, que não tinha o mesmo prestígio que o pai, sobretudo frente às classes mais radicais da burguesia. Temendo um levante popular e uma nova guerra civil, o Parlamento fez uma manobra arriscada: convocou Carlos II, filho do rei decapitado, para assumir o trono e restaurar a dinastia dos Stuart.Em 1660, Carlos II assumiu o trono prometendo respeitar os interesses do Parlamento. Mas logo começou a se articular com antigas lideranças da nobreza para restaurar o absolutismo, aproximando-se da França de Luís XIV. Entretanto, a realidade social já era bem diferente de quando seu pai havia reinado e, não conseguindo uma nova composição tradicional, Carlos II iniciou uma ampla perseguição religiosa contra os calvinistas.
Essa perseguição tinha como pano de fundo também a aproximação de Carlos II de membros da Igreja Católica. Apesar de anglicanos, os Stuart mantinham boas relações com os membros do clero, os quais ainda possuíam grande influência social, além de posse de terras.
O Parlamento, composto por maioria puritana, ao repudiar as ações de Carlos II, viu-se novamente vítima do autoritarismo: o monarca dissolveu-o em 1681 e governou sozinho até a sua morte, em 1685. Seu irmão, Jaime II, assumiu o torno, reativou o Parlamento, mas procurou dar seguimento às ações de Carlos II, no que se refere à restauração do absolutismo. No entanto, Jaime II foi mais além, convertendo-se ao catolicismo e decretando uma série de medidas que beneficiavam os católicos, como a isenção de impostos. Novamente, a reação do Parlamento foi imediata. Temendo que Jaime reivindicasse apoio da França, os membros do Parlamento trataram de organizar uma manobra política que evitasse um possível conflito armado.
Revolução Gloriosa e a fundação da Monarquia Parlamentarista
A manobra consistiu na convocação da filha de Jaime II, Maria II, à época casada com Guilherme de Orange, governador dos Países Baixos, para assumir com o marido o trono da Inglaterra. Guilherme de Orange, inicialmente, não viu com bons olhos o plano, imaginando que sua esposa, como herdeira legítima, teria mais poderes que ele. Contudo, mesmo assim, ainda em 1688, Guilherme invadiu a Inglaterra com seu exército para depor Jaime II e apoiar o Parlamento.
A Cavalaria da nobreza, que também estava descontente com o rei, em vez de defendê-lo, aliou-se a Guilherme. A Jaime II, já sem defesa alguma, Guilherme de Orange permitiu a fuga para a França, onde o monarca permaneceu exilado até o último dia de vida.
Guilherme de Orange assumiu o trono inglês como Guilherme III. Por sua ação militar não ter resultado em guerra e derramamento de sangue, ela recebeu o nome de Revolução Gloriosa. O Parlamento, contudo, estabeleceu diretrizes novas para Guilherme e Maria antes de coroá-los. Ambos os reis tiveram que se comprometer a cumprir a chamada Declaração de Direitos de 1689 (Bill Of Rights). A Declaração de Direitos limitava a ação dos reis, de modo a impedir qualquer retorno do absolutismo. Os reis passaram a ter o poder restrito, e o poder de decisão política concentrou-se no Parlamento, formando-se, assim, uma Monarquia Parlamentarista. Além disso, havia o comprometimento com as liberdades individuais, principalmente com a liberdade de crenças religiosas. Para saber mais sobre essa etapa da Revolução Inglesa, leia o nosso texto: Revolução Gloriosa.
 
E. Históricos

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publicado às 23:31


O Terror na Revolução Francesa

por John Soares, em 10.01.21

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O período do Terror (1792-1794), durante a Revolução Francesa, foi marcado pela perseguição religiosa e política, guerras civis, e execuções na guilhotina.

Naquele momento, a França estava sendo liderada pelos jacobinos, considerados os mais radicais entre os revolucionários e, por isso, este período também é conhecido como "Terror Jacobino".Em 1793, a França havia instaurado o regime republicanos e se via ameaçada por países como Inglaterra, Império Russo e Império Austro-Húngaro.
Internamente, as distintas correntes políticas como os girondinos, jacobinos e nobres emigrados, lutavam pelo poder.
Assim, a Convenção, que governava o país, adota medidas de exceção e suspende a Constituição da I República e entrega o governo ao Comitê de Salvação Pública.
Neste comitê, estão os membros mais radicais, chamados jacobinos, que fazem aprovar a Lei dos Suspeitos, em 17 de setembro de 1793, que deveria vigorar por dez meses.
Esta lei permitia deter qualquer cidadão, homem ou mulher, que fosse suspeito de conspirar contra a Revolução Francesa.
O período do Terror fez vítimas de todas as condições sociais e os mais célebres guilhotinados foram o rei Luís XVI e sua esposa, a rainha Maria Antonieta, ambos em 1793.
O símbolo desta época, sem dúvida, foi a guilhotina. Esta máquina foi recuperada pelo médico Joseph Guillotin (1738-1814) que a considerava um método menos cruel que a forca ou a decapitação. Durante o período do Terror estão registradas mais de 15.000 mortes por este instrumento.
A Guerra da Vendeia (1793-1796) ou Guerras do Oeste foi um movimento contrarrevolucionário camponês.
Na região francesa da Vendeia, os camponeses estavam insatisfeitos com os rumos da Revolução e da instituição da República. Foram chamados de “brancos” pelos republicanos, e por sua parte, estes eram os "azuis".
Os camponeses sentiam-se esquecidos pela República que prometera igualdade, mas os impostos continuavam a subir. Da mesma forma, quando os padres que não haviam jurado a Constituição foram proibidos de rezar missa, houve um grande descontentamento.
Assim, a população pega em armas sob a divisa "Por Deus e pelo Rei". Desta forma, o movimento é visto como uma grande ameaça pelo governo central e a repressão foi violenta.
O conflito entre brancos e azuis durou três anos e calcula-se que morreram cerca de 200.000 pessoas. Uma vez derrotado o exército rebelde, os republicanos passaram a destruir as aldeias e campos de cultivo, incendiar as florestas e matar o gado.
O objetivo era dar um castigo exemplar para que as ideias contrarrevolucionárias não se espalhassem pela França.Ad
Ironicamente, os representantes da ala partidária ao fim do Terror foram levados à guilhotina. Em 9 Termidor de 1794, o Pântano, facção da alta burguesia financeira, dá um golpe, toma o poder os jacobinos e envia os líderes populares Robespierre (1758-1794) e Saint-Just (1767-1794) para a guilhotina.
As disputas na França ocorrem sob os olhares dos líderes europeus ainda temerosos da evolução política. Por isso, em 1798 é formada a Segunda Coligação antifrancesa, que reunia Grã-Bretanha, Áustria e Rússia.
Temendo a invasão, os burgueses recorrem ao Exército, na figura do general Napoleão Bonaparte e este, em 1799, deflagra o Golpe de 18 de Brumário. Era a tentativa de restabelecimento da ordem interna e de organização militar contra a ameaça externa.

E. Históricos

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publicado às 13:11


Guerras Napoleônicas

por John Soares, em 10.01.21

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Guerras Napoleônicas foram uma série de conflitos entre revolucionários franceses e a monarquia europeia. Foi uma das guerras mais importantes da história e teve início por volta de 1803.

Ao tirar o poder de Luís XVI, Napoleão Bonaparte – revolucionário e herói nacional francês, que seguia o lema prescrito pela Revolução Francesa Liberté, égalité, fraternité (Liberdade, igualdade e fraternidade) pretendia difundir o ideal da revolução francesa e acabar com a monarquia absolutista.
Durante os cerca de 12 anos de ocorrência dos conflitos, foram feitas várias coligações, ou coalizões como também são chamadas, na tentativa de deter Napoleão Bonaparte, o qual foi considerado um gênio militar e o seu exército foi também considerado dos melhores da história, tendo em conta as várias batalhas vencidas no seu comando.
Monarquias Europeias X França Revolucionária
A Primeira Coligação, em que os franceses venceram os austríacos, foi a primeira tentativa de dar o poder novamente a Luís XVI e acabar com a Revolução Francesa. O rei Luís XVI havia fugido de Paris e planejava a contra-revolução, porém, sendo descoberto, foi obrigado a regressar. Este episódio enfraqueceu mais a monarquia, Napoleão Bonaparte intensificou mais o seu poder e a invasão francesa teve início com a assinatura do Tratado de Campoformio.
Tratado de Amiens
A Segunda Coligação, em que novamente a França derrotou seus adversários, foi mais uma tentativa de acabar com a Revolução. Essa guerra terminou com a assinatura de um tratado de paz entre a França e o Reino Unido, o Tratado de Amiens.Na Terceira Coligação, os reis da Europa receavam o fim das monarquias e, assim, os adversários franceses continuam a pretender a destruição da economia francesa. Mais uma vez Napoleão venceu e criou o Bloqueio Continental, que consistia em acabar com a economia inglesa ao impor que fossem cortados laços comerciais com a Inglaterra.
Nesta altura, 1804, Napoleão tornou-se imperador da França.
Guerra Peninsular
Ocorrida na Quarta Coligação, essa guerra foi intentada contra Portugal e Espanha.
Em decorrência do Bloqueio Continental, Portugal levou a corte real para o Brasil, transferindo mesmo o seu governo para o Rio de Janeiro, com receio das consequências da decisão de ir contra o novo plano de Bonaparte contra a economia inglesa.
Na Espanha, José Bonaparte – irmão de Napoleão, se torna rei e deixa de existir a Casa Real Espanhola. O povo se revolta e milhares de espanhóis são fuzilados.
Batalha de Borodino
No período da Quinta Coligação, Napoleão dominava praticamente toda a Europa. Nessa altura, entretanto, Napoleão foi vencido pela Rússia na Batalha de Borodino, conhecida como a mais sangrenta das Guerras Napoleônicas e que teve a duração de apenas um dia.Por ocasião da Sexta Coligação, Napoleão assina o Tratado de Fontainebleau - documento em que abre mão do seu governo, e é exilado na Ilha de Elba, de onde consegue fugir, regressando ao poder num governo que dura 100 dias (Governo de Cem Dias).
O exército francês, então, luta contra as forças absolutistas, mas agora com um número reduzido de soldados, os quais são, por fim, derrotados. Chega, assim, o fim das guerras napoleônicas, em 1815.
Mais uma vez exilado, agora na ilha de Santa Helena, Napoleão Bonaparte morre em 1821.
Consequências das Guerras Napoleônicas no Brasil
Quando, devido ao Bloqueio Continental, a corte real teve de se transferir para o Rio de Janeiro, em 1808, o rei D. João VI iniciou um trabalho de estruturação no Brasil, o que começou a propiciar a independência dessa colônia portuguesa.
Foram construídas fábricas, foram criadas universidades, a Biblioteca Real, a Academia de Belas Artes. Com essas estruturas, o Brasil ia se tornando independente da sua colônia.
Alguns problemas que surgiram no Brasil, tais como aumento de impostos e a seca, começaram a criar uma revolta no povo contra o governo do rei D. João VI. Houve combates violentos nesta que é conhecida como a Revolução Pernambucana.
A corte pretendia recolonizar o Brasil e o Partido Brasileiro, que combatia a recolonização, impôs-se. Houve confrontos, até que finalmente, em 1822 é proclamada a Independência do Brasil.


E. Históricos

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publicado às 13:03


Crescente Fértil

por John Soares, em 10.01.21

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O Crescente Fértil é denominado o “Berço da Civilização”, posto que vários povos da antiguidade (cerca de 10.000 a.C.) se desenvolveram nessa região, daí sua grande importância na história da humanidade.
Corresponde a uma região do Oriente Médio, com aproximadamente 500 mil km2 de extensão. Está localizada entre a Jordânia, Líbano, Síria, Egito, Israel, Palestina, Irã, Iraque e parte da Turquia.
Abriga grandes rios tal qual o Nilo, Tigre, Eufrates e Jordão. Todos eles tornaram a agricultura o principal meio de subsistência das primeiras grandes civilizações da antiguidade oriental.
História: Resumo
Além da agricultura, atividade que fixou a raça humana em detrimento do nomadismo, o Crescente Fértil destacou-se pelo desenvolvimento social, político, econômico e cultural das civilizações.
Isso desde o surgimento de cidades, do comércio, do alfabeto (escrita) e de diversas ferramentas criadas pelo homem.
Foi nesse contexto que as civilizações antigas se “sedentarizaram”, ou seja, passaram a fixar-se nos locais e a produzir seus próprios alimentos.
Essa “sedentarização” foi o fulcro necessário para o crescimento das cidades e, sobretudo, para o desenvolvimento das antigas civilizações. Destacam-se o desenvolvimento científico, o progresso tecnológico e outros modos de subsistência.Muitos métodos de agricultura foram utilizados, como os sistemas de irrigação e drenagem de pântanos, que foram se ampliando e propiciando o maior desenvolvimento das civilizações.
Muitos historiadores indicam a região do Crescente Fértil como a precursora da formação das grandes civilizações, denominadas Impérios.
Atualmente, o Crescente Fértil vem sofrendo com diversos impactos ambientais. Muitas das regiões, que antes eram consideradas férteis, hoje foram tomadas pela desertificação, tornando-se assim, áreas improdutivas e inférteis.
Significado
O “Crescente Fértil” ou “Meia Lua Fértil” recebe esse nome uma vez que a região, se olhada no mapa, possui a forma de uma lua em estágio crescente. Ou seja, um semicírculo que, por extensão, recebeu a adjetivação “fértil”.
As cheias dos rios que o circundam, produziam vales com solos férteis (adubo natural rico em nutrientes) favoráveis para a prática da agricultura.
O termo “Crescente Fértil” foi utilizado pela primeira vez pelo arqueólogo e historiador estadunidense James Henry Breasted (1865-1935).
Foi citado em sua obra “Antigos Registros do Egito” (em inglês: “Ancient Records of Egypt”), publicada em 1906. A ideia do autor era designar as áreas da Mesopotâmia e do Egito.Muitas civilizações se desenvolveram na região denominada de Crescente Fértil, por exemplo, os sumérios, persas, assírios, acádios, egípcios, hebreus, fenícios, mesopotâmicos, dentre outras.
Dessas duas grandes civilizações se destacam: a civilização egípcia, surgida às margens do rio Nilo, e a civilização mesopotâmica, desenvolvida às margens dos rios Tigres e Eufrates.
 
E. Históricos

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publicado às 12:56


PERSAS

por John Soares, em 10.01.21

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Os persas constituíram uma das mais importantes civilizações da Antiguidade.
A Pérsia se localizava, principalmente, ao leste da Mesopotâmia, no atual território ocupado pelo Irã, que era chamado de Pérsia até 1935, quando mudou seu nome.Os persas constituíram uma das mais importantes civilizações da Antiguidade.

A Pérsia se localizava, principalmente, ao leste da Mesopotâmia, no atual território ocupado pelo Irã, que era chamado de Pérsia até 1935, quando mudou seu nome.Quem deu início ao Império Persa foi Ciro, o Grande (560 a.C – 529 a.C). Porém, o desenvolvimento da civilização se deve, principalmente a Dario I, o Grande.
Este foi o responsável por grandes construções, principalmente a Estrada Real, cujo objetivo era manter a hegemonia dos povos conquistados. Seguiu-se Dario I, Xerxes I, Artaxexes I até o último imperador, Dario III, derrotado por Alexandre, o Grande.A expansão da Pérsia somente foi possível graça ao empreendedorismo dos imperadores que estiveram no seu poder.
Todos os povos conquistados pelo Império Persa tinham de pagar imposto, mas não eram obrigados a deixar de lado os seus costumes ou a sua língua.Os persas foram um dos primeiros povos a realizar uma reforma política e administrativa. Era preciso organizar a população que havia sido conquistada. Assim, a reforma administrativa, realizada no governo de Dario deu origem às satrapias - províncias governadas pelos sátrapas. Estes eram considerados os “olhos e ouvidos do rei”, pessoas de confiança encarregadas de vigiar os sátrapas.
Desse modo, o sistema político e administrativo da civilização persa possuía um nível de complexidade maior em relação a outras sociedades do período.
Economia persa
Os persas viviam da agropecuária, da mineração, do artesanato e dos impostos cobrados aos povos subjugados.
A construção da Estrada Real propiciou o desenvolvimento do comércio, pois tornou as viagens mais rápidas e seguras. A fim de poder negociar com todos as regiões do seu vasto império, os persas instituíram uma moeda, o dárico.
Cultura, Arte e Religião persa
Os persas construíram grandes obras arquitetônicas e seus seus palácios, além de grandes, eram bastante luxuosos. Os mosaicos e as pinturas retratam os feitos dos imperadores assim como os deuses.
Ainda hoje, a cultura persa é famosa pelos belos tapetes persas reconhecidos em todo o mundo. Seus desenhos elaborados formam um labirinto geográfico ou com elementos da natureza.Zoroastrismo ou Masdeísmo é o nome da antiga religião desse povo, que teve origem na fusão das crenças populares dos povos persas, feita pelo seu fundador, o profeta Zoroastro ou Zaratustra – daí a origem do nome.
Trata-se de uma religião dualista, ou seja, que acredita no princípio do Bem versus Mal (Mazda, o deus do Bem, e Arimã, o deus do Mal).

E. Históricos

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publicado às 00:40


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